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Juliana Rosa: petróleo acima dos US$ 100 após fracasso em cessar-fogo

Ameaça de bloqueio dos EUA a portos iranianos eleva cotações e pressiona inflação no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

13/04/2026 • 10:25 • Atualizado em 13/04/2026 • 10:25

Petróleo

Petróleo

Andre Ribeiro/Agência Petrobras/Agência Brasil

Resumo

A tensão entre Estados Unidos e Irã aumenta após ameaça do presidente Donald Trump de bloquear portos iranianos, resultado do fracasso nas negociações de paz e recusa iraniana em ceder sobre o programa nuclear.

A instabilidade no Oriente Médio provoca alta do preço do petróleo no mercado global, ultrapassando US$ 100 o barril, e leva o Banco Central a revisar para cima a projeção de inflação no Brasil, superando o teto da meta governamental.

O impacto no Brasil já aparece na elevação dos preços dos combustíveis e ameaça a cadeia produtiva de alimentos, especialmente devido à dependência de fertilizantes importados do Irã, com risco de aumento nos custos de itens básicos como leite, pães, arroz e feijão.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irã atinge um novo pico nesta segunda-feira (13), com a ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de bloquear todos os portos iranianos a partir das 11h (horário de Brasília).

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A medida, anunciada após o fracasso nas negociações de paz no fim de semana, eleva a instabilidade no Oriente Médio e já provoca forte impacto no mercado global, com o barril de petróleo voltando a ser negociado acima dos US$ 100.

A escalada da crise reverbera diretamente na economia brasileira. A projeção de inflação do mercado para 2026, medida pelo Boletim Focus do Banco Central, foi revisada para 4,71%, ultrapassando o teto da meta do governo, de 4,5%.

Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o aumento reflete a preocupação com os efeitos da alta do petróleo nos preços dos combustíveis e, consequentemente, em toda a cadeia produtiva.

Contexto da Crise

O possível bloqueio ocorre após mais de 20 horas de negociações entre Estados Unidos e Irã, com mediação do Paquistão, que terminaram sem um acordo de paz definitivo. O ponto de maior atrito foi a recusa iraniana em ceder às exigências americanas sobre o programa nuclear do país.

Em resposta à ameaça de Trump, o Irã prometeu reagir, afirmando que, se os portos da nação forem ameaçados, nenhuma rota marítima no Golfo Pérsico e no Mar de Omã estará segura.

A situação coloca em alerta o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.

Impacto no Bolso do Brasileiro

Segundo a colunista, os efeitos da crise já são sentidos no Brasil. O IPCA, índice oficial de inflação, de março já refletiu a alta nos preços de gasolina, diesel e querosene de aviação. No entanto, especialistas ouvidos por Juliana alertam que o impacto nos alimentos ainda não foi totalmente disseminado e deve se agravar.

A principal preocupação está no aumento do custo do frete e na alta dependência brasileira de fertilizantes importados. O Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza na agricultura. E uma parcela significativa, como 20% da ureia, essencial para o crescimento rápido de produtos como milho, trigo e cana-de-açúcar, vem do Irã.

Com a crise, a cadeia de produção de alimentos fica ameaçada. Um levantamento da Warren Investimentos aponta que itens básicos na mesa dos brasileiros, como leite, pães, arroz e feijão, são os mais sensíveis à alta de custos provocada pela guerra e devem sofrer os maiores impactos no preço.