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Juliana Rosa: Petróleo cai mais de 4% com possível acordo de paz no Irã

Colunista aponta que, enquanto mercado reage com otimismo a possível cessar-fogo, cenário interno no Brasil é de aperto, com renda disponível no menor nível desde 2011

Da redação
DA REDAÇÃO

17/04/2026 • 11:40 • Atualizado em 17/04/2026 • 11:40

Resumo

Alívio nos mercados internacionais foi impulsionado pela esperança de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, com queda de 4% no preço do petróleo WTI para US$ 91 e desvalorização do dólar no Brasil, que atingiu R$ 4,97, menor valor em dois anos.

Ceticismo de analistas sobre um acordo definitivo se deve aos interesses divergentes de Estados Unidos, Irã e Israel, com destaque para as preocupações com o programa nuclear iraniano, o domínio do Estreito de Ormuz e a necessidade de consolidação regional do Irã, segundo o cientista político Rafael Cortez.

Queda da renda disponível no Brasil, apontada por estudo da Tendências, mostra pior nível desde 2011, agravada por alto endividamento das famílias e pressão inflacionária sobre combustíveis e alimentos, apesar de crescimento pontual no agronegócio e mercado de trabalho no primeiro trimestre.

A esperança de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã trouxe um alívio para os mercados internacionais nesta sexta-feira (17). A cotação do petróleo do tipo WTI, negociado em Nova Iorque, registrava forte queda de 4%, sendo negociado a US$ 91, valor bem abaixo do pico de US$ 120 alcançado no auge do conflito. No Brasil, o dólar também seguiu a tendência de baixa, operando a R$ 4,97, o menor patamar em mais de dois anos.

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O movimento reflete a expectativa de investidores pela retomada das negociações para um cessar-fogo no Oriente Médio, embora ainda não haja data marcada. A percepção geral, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, é de que as partes envolvidas buscam uma saída para a guerra.

Acordo definitivo é 'pouco provável'

Apesar da reação positiva do mercado, um acordo de paz duradouro é visto com ceticismo por analistas. Em entrevista ao programa "Economia Pra Você", que vai ao ar neste sábado (18) às 12h, o cientista político Rafael Cortez explica que os interesses conflitantes de Estados Unidos, Irã e Israel dificultam uma solução definitiva. Para ele, o que está no radar é uma possível extensão da trégua, e não o fim do conflito.

Segundo Cortez, os EUA teriam que admitir perdas, já que a intenção inicial da gestão Trump era derrubar o regime iraniano. Israel, por sua vez, tem como principal preocupação o programa de enriquecimento de urânio do Irã. Já o governo iraniano precisa se consolidar como líder regional, o que inclui o domínio do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de 20% do petróleo e gás mundial.

No Brasil, renda disponível é a menor em 13 anos

Enquanto o cenário externo dá sinais de melhora, dados do Banco Central do Brasil mostraram que a economia teve um primeiro trimestre mais positivo que o previsto, com destaque para o agronegócio e o mercado de trabalho aquecido. No entanto, a perspectiva é de piora rápida devido à pressão inflacionária sobre combustíveis e alimentos.

O alto endividamento das famílias agrava o quadro. Um estudo da consultoria Tendências, destacado por Juliana Rosa, revela que a renda disponível do brasileiro, após o pagamento de despesas básicas como alimentação, moradia e transporte, atingiu o menor patamar desde 2011. A análise ressalta a gravidade do problema da renda no país, que, apesar de ser a maior economia da América Latina, possui uma renda média inferior à de países como Peru, Colômbia e Argentina.