Band News FM
BandNews FM

Juliana Rosa: petróleo segue em alta e pressiona a inflação

Bloqueio no Estreito de Ormuz mantém barril acima de US$ 100 e acende alerta para o aumento de preços no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

23/04/2026 • 10:27 • Atualizado em 23/04/2026 • 10:27

petróleo

petróleo

https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2024-11/petrobras-inaugura-unidade-de-abatimento-de-emissoes-de-gases-snox-na-refinaria-abreu-e-lima-1731095108-1

Resumo

A intensificação da disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle do Estreito de Ormuz mantém o preço do petróleo elevado e impacta a economia mundial, com bloqueios navais e ataques a cargueiros agravando o cenário de insegurança desde fevereiro.

A elevação do preço do barril de petróleo, que saltou de menos de US$ 70 para cerca de US$ 103, já pressiona a inflação no Brasil, atingindo toda a cadeia produtiva e levando o Banco Central e o mercado financeiro a revisarem para cima as projeções inflacionárias até 2028.

A necessidade de juros altos para conter a inflação, somada ao alto endividamento de famílias e empresas, projeta meses difíceis para os brasileiros, com crédito mais caro e aumento do custo de vida, segundo economistas e a colunista Juliana Rosa.

A contínua tensão entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, que já se aproxima de dois meses, segue impactando diretamente a economia mundial. A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento de petróleo no mundo, mantém o preço do barril em patamares elevados, negociado nesta quinta-feira (23) na casa dos US$ 103.

Compartilhar

O cenário de incerteza já provoca o aumento nas projeções de inflação para os próximos anos no Brasil, indicando um período mais difícil para o consumidor, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.

Bloqueio e escalada da tensão no Golfo

O conflito, que teve início no final de fevereiro, concentra-se no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o fluxo global de petróleo. Atualmente, a região vive um bloqueio duplo: o Irã bloqueia a passagem principalmente por meio de ameaças militares, uso de minas navais e apreensão de navios, enquanto os EUA impõem um bloqueio naval focado em impedir o comércio de petróleo iraniano

A situação se agravou com a interceptação e o ataque a dois cargueiros pelo Irã, elevando a insegurança na navegação. A disputa geopolítica cria um impasse que, segundo a colunista, visa fortalecer as posições de ambos os países para uma futura e inevitável mesa de negociação, que poderia estabelecer um cessar-fogo mais duradouro.

Reflexos diretos na economia brasileira

No Brasil, a principal preocupação é o impacto prolongado do choque de preços sobre a inflação. Antes do conflito, o barril de petróleo era cotado abaixo de US$ 70. A alta atual não afeta apenas o custo dos fretes, mas se espalha por toda a cadeia produtiva. O Relatório Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central e que reúne as previsões do mercado financeiro, já mostra revisões de alta para a inflação não só de 2026, mas também para 2027 e 2028.

Economistas ouvidos por Juliana apontam que a indexação, um mecanismo herdado do período de hiperinflação das décadas de 70 e 80, agrava o quadro. Contratos de aluguel, planos de saúde e o salário mínimo, por exemplo, são reajustados com base na inflação passada, fazendo com que os aumentos de preços se tornem permanentes e se estendam pela economia mesmo após a eventual resolução do conflito.

Cenário de juros altos e endividamento

A consequência direta de uma inflação mais alta e persistente é a necessidade de o Banco Central manter a taxa de juros elevada por mais tempo, tornando o crédito mais caro. Esse cenário é especialmente preocupante para o Brasil, que atualmente registra um alto nível de endividamento tanto das famílias quanto das empresas. Com o aumento do custo de vida e a dificuldade de acesso a crédito, a jornalista aponta que a perspectiva para os próximos meses é de grandes desafios para a população.