Band News FM
BandNews FM

Juliana Rosa: PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, mas geopolítica preocupa

Colunista aponta que resultado ficou dentro do esperado pelo mercado, mas dados do segundo semestre mostram estagnação da economia

Da redação
DA REDAÇÃO

03/03/2026 • 13:45 • Atualizado em 03/03/2026 • 13:45

Juliana Rosa
Redes Sociais:
Resumo

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024, evidenciando desaceleração econômica conforme análise da colunista Juliana Rosa.

Impacto da taxa de juros elevada resultou em queda de investimentos empresariais, recuo da indústria, redução nas vendas do comércio e enfraquecimento da construção civil, enquanto setores de serviços e agropecuária sustentaram o resultado positivo, mas consumo das famílias estagnou ao final do ano.

Cenário externo de instabilidade, provocado pelo conflito no Oriente Médio e alta do dólar e do petróleo, aumenta a pressão sobre a inflação, colocando em dúvida o espaço para o corte da taxa Selic pelo Banco Central, que pode adiar ou suspender a medida prevista para março.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou nesta terça-feira (03) que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025. A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, aponta que o resultado, que ficou em linha com as previsões do governo e do mercado financeiro, representa uma clara desaceleração em relação ao ano anterior, quando a economia havia expandido 3,4%.

Compartilhar

Segundo a jornalista, o dado acende um alerta sobre o ritmo da atividade econômica, que demonstrou estagnação na segunda metade do ano, e sobre o futuro da taxa de juros, agora pressionada por um novo cenário de risco internacional, por causa do conflito no Oriente Médio.

Juliana diz que o resultado evidencia os efeitos da taxa de juros elevada, que impactou diretamente o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

Economia perde fôlego no segundo semestre

A análise setorial dos dados do IBGE mostra que a indústria e os investimentos foram os mais afetados pelo aperto monetário. No quarto trimestre de 2025, os investimentos das empresas registraram uma queda acentuada de 3,5%, enquanto a indústria também apresentou recuo. O comércio, mesmo em um período que sazonalmente conta com datas importantes como a Black Friday e o Natal, também teve queda nas vendas, e a construção civil perdeu força.

Por outro lado, os setores de serviços e a agropecuária continuaram a ser os principais motores da economia, sustentando o resultado positivo no acumulado do ano. No entanto, o consumo das famílias, um importante pilar da atividade econômica, parou de crescer no final do ano, refletindo um maior aperto no orçamento dos brasileiros.

O que esperar daqui para frente?

O cenário que se desenhava era de alívio. Com a economia crescendo em um ritmo mais lento e a inflação mostrando sinais de controle, caindo de patamares de 5,5% para cerca de 4%, o caminho parecia livre para o Banco Central iniciar o ciclo de corte da taxa básica de juros, a Selic.

Contudo, a recente escalada de tensões no Oriente Médio, com o ataque ao Irã, trouxe um "banho de água fria" para as expectativas. A disparada do preço do petróleo e a forte alta do dólar, que passou de R$ 5,16 para R$ 5,23, criam uma nova pressão sobre a inflação, especialmente nos preços dos combustíveis e alimentos.

Segundo apuração da Juliana Rosa, essa incerteza externa coloca em dúvida o espaço para o corte de juros na próxima reunião do Banco Central, em março. A expectativa de uma pequena queda de 0,25 pontos percentuais pode ser frustrada, e há risco de não haver corte algum, a depender do desenrolar do conflito.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos:

Tópicos relacionados