
Lula lamenta morte de Sebastião Salgado
Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta sexta-feira (23) a morte do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado, aos 81 anos. Além do petista, familiares e a Academia de Belas Artes de Paris prestaram suas homenagens ao artista.
“Seu inconformismo com o fato do mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de toda a humanidade”, publicou Lula na rede social X.
Através de uma nota, a família de Salgado também comunicou os seus pesares.
“Por meio das lentes de sua câmera, Sebastião lutou incansavelmente por um mundo mais justo, mais humano e mais ecológico. Fotógrafo que viajou pelo mundo sem cessar, ele contraiu uma forma particular de malária em 2010 na Indonésia, como parte de seu projeto Gênesis”, afirmou a família.
A Academia de Belas Artes de Paris também lamentou o falecimento do artista.
“Laurent Petitgirard, Secretário Permanente, os membros e correspondentes da Academia de Belas Artes comunicam com profundo pesar o falecimento, nesta sexta-feira, 23 de maio, aos 81 anos, do seu colega Sebastião Salgado”, comunicou a sociedade científica.
Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 1944, na vila de Conceição do Capim, no município de Aimoré, em Minas Gerais. Com o endurecimento da ditadura militar no Brasil, o artista decidiu se exilar em 1969, com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, em Paris, na França.
Antes de se tornar fotógrafo, Salgado se formou em economia pela Universidade de São Paulo, em 1968, e se tornou doutor pela Universidade de Paris, em 1971.
Entre 1971 até 1973, o artista trabalhou como secretário da Organização Internacional do Café, em Londres. Foi após uma viagem a Angola, onde documentava o cultivo do café, que o artista começou a fotografar profissionalmente.
Trabalhou em diversas agências de fotografia e ficou famoso por fazer registros documentais, como o da Serra Pelada na década de 1980.
Em 1998, Salgado fundou, junto com a esposa Leila, o Instituto Terra, que lutava pelo reflorestamento da Mata Atlântica brasileira e de florestas ao redor do mundo.
O fotógrafo também conquistou diversos prêmios internacionais, como o Eugene Smith, em 1982, e o World Press, em 1985. Além disso, foi contemplado com diversas honrarias, sendo representante especial da Unicef e a conquista de uma cadeira na Academia das Artes e Ciências dos Estados Unidos.
A informação da morte de Salgado foi confirmada por seu próprio instituto. De acordo com os familiares, o fotógrafo faleceu por conta de uma leucemia grave, que surgiu como uma evolução da malária que o atingiu em 2010, enquanto visitava a Indonésia. Ele deixa a esposa, seus dois filhos e dois netos.
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