
Lula
REUTERS/Jorge Silva
Resumo
O veto integral ao "PL da Dosimetria" foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto, impedindo mudanças no cálculo das penas que poderiam beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A justificativa do presidente Lula destacou que os responsáveis pelos ataques foram julgados de forma justa e transparente, com provas robustas, e elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a corte foi fortalecida pelo processo.
A proposta retorna ao Congresso Nacional, onde deputados e senadores podem manter ou derrubar o veto, exigindo maioria absoluta para sua rejeição; a expectativa é de que o tema seja prioritário na retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o projeto de lei conhecido como "PL da Dosimetria", que alterava o cálculo para aplicação de penas e poderia beneficiar os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A assinatura do veto ocorreu durante uma cerimônia no Palácio do Planalto em memória aos três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
A proposta, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, agora retorna para análise de deputados e senadores, que podem manter ou derrubar a decisão presidencial.
O projeto de lei (PL) focava em mudanças na dosimetria da pena, ou seja, na forma como o juiz define o tempo de reclusão de um condenado.
O texto estabelecia, por exemplo, que em casos de condenação simultânea pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, seria aplicada apenas a pena mais grave, e não a soma delas.
Além disso, a proposta criava um mecanismo para acelerar a progressão de regime (de fechado para semiaberto, por exemplo) para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
As alterações beneficiariam inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde novembro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ao justificar a decisão, o presidente Lula afirmou que os responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro foram julgados de forma justa e com direito à ampla defesa. "Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou PowerPoints fajutos", declarou o presidente.
O governo já havia sinalizado que vetaria a proposta, por considerar que ela enfraqueceria a responsabilização pelos atos golpistas.
Durante o evento, Lula elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução dos julgamentos, afirmando que a corte "saiu fortalecida" e que sua conduta "certamente será lembrada pela história".
Para que um veto seja derrubado, são necessários os votos da maioria absoluta dos parlamentares: no mínimo 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 no Senado.
Caso o veto seja mantido, o projeto é arquivado. Se for derrubado, o texto é promulgado e se transforma em lei. A articulação no Congresso para a derrubada já começou e a expectativa é que o tema seja uma das prioridades na volta dos trabalhos legislativos, em fevereiro.
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