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Lula veta "supersalários" e Congresso vive impasse em ano eleitoral

Presidente barrou brechas que poderiam elevar remunerações de servidores para mais de R$ 77 mil

Da redação
DA REDAÇÃO

18/02/2026 • 10:10 • Atualizado em 18/02/2026 • 10:10

Lula

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Ricardo Stuckert / PR

Resumo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente o projeto de lei que permitiria salários acima do teto constitucional para servidores do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União, impedindo a criação de licença compensatória e pagamento de folgas não utilizadas, decisão publicada no Diário Oficial da União.

A reação negativa da opinião pública, principalmente sobre supersalários que poderiam chegar a mais de R$ 77 mil, levou o Palácio do Planalto a barrar os trechos mais controversos, tornando improvável a derrubada do veto pelo Congresso em ano eleitoral.

A pressão do Judiciário aumentou após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar prazo de 60 dias para adequação dos órgãos públicos ao teto salarial, obrigando o Congresso a apresentar plano de transparência e moralização dos pagamentos, com expectativa de manutenção do veto presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente o projeto de lei que criava mecanismos para turbinar os salários de servidores do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União (TCU). A decisão, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18), impede a criação de uma "licença compensatória" que, na prática, permitiria que remunerações ultrapassassem o teto constitucional, fixado em R$ 46.366,19.

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A medida joga a decisão final para o Congresso, que precisaria derrubar o veto para garantir os benefícios, um movimento considerado improvável em ano de eleição.

A proposta, aprovada de forma rápida e discreta pelos parlamentares, gerou forte reação negativa na opinião pública. O ponto mais polêmico era a possibilidade de converter folgas não utilizadas em dinheiro, sem a incidência de impostos, o que poderia fazer com que os salários de alguns servidores chegassem a mais de R$ 77 mil. Com o cálculo político em mente, o Palácio do Planalto atendeu à pressão popular e barrou os trechos mais controversos.

Reação e o cálculo político

A aprovação do projeto em uma votação simbólica, ou seja, sem identificação de quem foi a favor ou contra da medida, foi uma estratégia dos parlamentares para beneficiar um grupo restrito, porém influente, de servidores que os assessoram diretamente. No entanto, a repercussão negativa forçou um recuo.

Agora, com o veto presidencial, a expectativa é que não haja mobilização para derrubá-lo. Em ano eleitoral, nenhum parlamentar quer ter sua imagem associada à aprovação de "supersalários", tornando o assunto "tóxico" no meio político.

Segundo apuração da BandNews FM, desde a votação, o que se ouve nos corredores do Congresso são tentativas de explicação para o que é considerado "inexplicável". A manobra para criar dribles ao teto constitucional abriu uma crise e levantou o debate sobre a necessidade de uma reforma administrativa mais ampla e eficaz para moralizar os salários no serviço público.

Pressão do Judiciário e os próximos passos

Paralelamente ao veto de Lula, uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início do mês, aumentou a pressão sobre os três Poderes. O magistrado determinou um prazo de 60 dias para que os órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário municipais, estaduais e federais expliquem os casos de servidores que recebem acima do teto e suspendam pagamentos de "penduricalhos" que não tenham previsão legal expressa.

Com isso, o Congresso Nacional fica em uma encruzilhada. Além de ter que analisar o veto do presidente, os parlamentares serão obrigados a apresentar, em menos de dois meses, um plano para se adequar à decisão do STF. A tendência é que o veto de Lula seja mantido, e os holofotes se voltem para as medidas que serão tomadas para garantir a transparência e o cumprimento do teto salarial em todas as esferas do poder público.