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Megale: decisão de Nunes Marques sobre pesquisa AtlasIntel desafia a lógica

Presidente do TSE barrou levantamento que apontava queda de Flávio Bolsonaro após o escândalo do Banco Master

LUIZ MEGALE

09/06/2026 • 10:52 • Atualizado em 09/06/2026 • 14:56

Luiz Megale
Resumo

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa presidencial do Instituto AtlasIntel, após pedido do Partido Liberal (PL), que questionou perguntas associando o senador Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master.

A principal justificativa para a suspensão foi o suposto viés no questionário, mas análises apontam que os temas polêmicos só foram apresentados após o registro das intenções de voto, rejeição e avaliação do governo, não influenciando os resultados anteriores.

A queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro ocorreu após revelação de áudios em que ele pedia R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero, e agora o plenário do TSE decidirá se mantém ou revoga a suspensão da pesquisa.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa presidencial do Instituto AtlasIntel. A decisão liminar, que foi proferida nesta segunda-feira (8), atende a um pedido do Partido Liberal (PL).

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A sigla questionou o bloco de perguntas que associava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao escândalo do Banco Master. A decisão monocrática deve ser votada no plenário do tribunal. A medida judicial foi classificada como algo que desafia a lógica pelo âncora Luiz Megale, do JornalBandNews.

A cronologia das perguntas sob questionamento

O principal argumento para a suspensão judicial foi o suposto comprometimento da neutralidade do questionário. A defesa de Flávio Bolsonaro alegou que o bloco de perguntas sobre o caso Banco Master induziria os entrevistados a darem respostas negativas.

Segundo Megale, essa tese ignora a ordem cronológica do levantamento. Ele aponta que a pergunta sobre a gravação do suposto pedido de recursos para um filme foi feita somente após todos os questionamentos sobre a disputa eleitoral. Ou seja, as questões sobre intenção de voto no primeiro e segundo turnos, rejeição e avaliação do governo já haviam sido totalmente concluídas e catalogadas.

“Nenhuma resposta que a pessoa pudesse dar na segunda parte alteraria o resultado anterior, que já estava catalogado", analisou o jornalista, que comparou a decisão a quebrar a perna de um jogador na segunda-feira e culpá-lo pela derrota do time na final do campeonato ocorrida no domingo anterior.

O impacto político e o contexto do escândalo

A queda das intenções de votos à Flávio Bolsonaro ocorreu logo após o portal The Intercept Brasil revelar áudios em que o senador pedia R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O banqueiro do Banco Master é investigado por supostas fraudes financeiras no âmbito da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. O levantamento da AtlasIntel indicou que 51,7% dos entrevistados que sabiam do áudio viam indícios de envolvimento direto de Flávio Bolsonaro no escândalo.

A decisão individual tomada pelo ministro Kassio Nunes Marques não encerra o caso de forma definitiva. O julgamento conjunto da liminar pelo plenário da Corte eleitoral será o próximo passo do processo. Os ministros do colegiado do TSE deverão analisar se mantêm a suspensão da pesquisa ou se liberam novamente os dados estatísticos.

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