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Melhora do emprego não elimina trabalho infantil entre os adolescentes

Levantamento da Fundação Abrinq aponta que quase 80% dos jovens de 14 a 17 anos ocupados trabalham em situação irregular

Da redação
DA REDAÇÃO

10/06/2026 • 10:36 • Atualizado em 10/06/2026 • 10:36

Queda do desemprego não erradica trabalho infantil, aponta pesquisa

Queda do desemprego não erradica trabalho infantil, aponta pesquisa

Valter Campanato/Agência Brasil

Resumo

Levantamento da Fundação Abrinq mostra que, mesmo com a menor taxa de desemprego dos últimos catorze anos (6,1%), 77,2% dos adolescentes de 14 a 17 anos ocupados no primeiro trimestre de 2026 exerciam atividades classificadas como trabalho infantil, indicando que a melhora do mercado de trabalho não eliminou a inserção irregular dessa população.

Estudo baseado na PNAD Contínua do IBGE revela que a maioria dos jovens ocupados atua em condições irregulares, perigosas ou degradantes, e que, apesar da redução histórica do trabalho infantil (de 82,6% para 77,2%), o problema ainda é considerado estrutural e permanece em níveis elevados.

Análise dos dados aponta que a informalidade segue crescendo entre adolescentes, com aumento da participação de empregados do setor privado sem carteira assinada e queda do trabalho familiar auxiliar e por conta própria, sugerindo que a diminuição do trabalho infantil resulta mais de mudanças nas formas de ocupação precária do que de avanços na formalização ou proteção legal.

A queda do desemprego no Brasil não foi acompanhada pela erradicação do trabalho infantil entre adolescentes. Levantamento da Fundação Abrinq mostra que 77,2% dos jovens de 14 a 17 anos que estavam ocupados no primeiro trimestre de 2026 exerciam atividades enquadradas como trabalho infantil, evidenciando que a inserção dessa população no mercado ainda ocorre, em grande parte, de forma irregular.

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Os dados revelam que, embora o país tenha registrado a menor taxa de desocupação dos últimos catorze anos, mais de três em cada quatro adolescentes ocupados permanecem em condições consideradas incompatíveis com a legislação de proteção à infância e à adolescência.

A melhora do mercado de trabalho no Brasil não eliminou o trabalho infantil entre adolescentes. Mesmo com a taxa de desocupação no menor nível em catorze anos, 77,2% dos jovens de 14 a 17 anos que estavam ocupados no primeiro trimestre de 2026 encontravam-se em situação de trabalho infantil.

Os dados fazem parte de estudo produzido pela Fundação Abrinq com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua), do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação atingiu 6,1%, o menor patamar já registrado pela PNAD Contínua trimestral.

Ainda assim, os jovens ocupados iniciam sua trajetória profissional em condições consideradas irregulares, perigosas ou degradantes. Embora o percentual atual represente o menor nível da série histórica, a Fundação Abrinq alerta que o número continua extremamente elevado.

"Ao mesmo tempo em que o desemprego cai e aumenta a ocupação entre jovens, a informalidade e a precarização continuam marcando a entrada dessa população no mercado", destaca Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq.

A pesquisa aponta que a taxa de ocupação entre adolescentes voltou, desde 2024, aos níveis observados entre 2012 e 2016, indicando retomada da participação desse grupo no mercado de trabalho.

No entanto, a redução do trabalho infantil avança lentamente e ainda está distante de um cenário adequado para a proteção de crianças e adolescentes.

Outro dado observado pela Fundação Abrinq é a mudança no perfil das ocupações exercidas em situação de trabalho infantil. O grupo dos empregados do setor privado sem carteira assinada continua ampliando participação, enquanto modalidades como trabalho familiar auxiliar e trabalho por conta própria perderam espaço após o período da pandemia.

Segundo a Fundação Abrinq, isso sugere que parte da redução recente do trabalho infantil não está necessariamente ligada à formalização ou à proteção das relações de trabalho, mas sim à reorganização das formas de inserção precária no mercado.

A média histórica dos últimos catorze anos mostra que 82,6% dos adolescentes ocupados estavam em situação de trabalho infantil. Embora o percentual atual seja inferior ao registrado na maior parte da série, o estudo aponta que o problema permanece estrutural no país.

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