
Mercosul e União Europeia
União Europeia/Mercosul/Agência Brasil
Representantes do Mercosul e da União Europeia assinam neste sábado (17) o histórico acordo de livre comércio entre os dois blocos. A cerimônia, que acontece em Assunção, no Paraguai, sela mais de 25 anos de negociações e cria um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas, representando cerca de 20% da economia global.
O tratado prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% dos produtos comercializados entre as regiões e cria uma rede de comércio avaliada em mais de 22 trilhões de dólares.
Um longo caminho de negociações
As conversas para o acordo entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999, mas enfrentaram uma série de impasses ao longo dos anos.
As negociações foram marcadas por pausas e retomadas, com divergências em temas sensíveis como agricultura e meio ambiente.
Um acordo de princípio foi alcançado em 2019, mas a ratificação foi adiada por resistências políticas, principalmente de setores agrícolas europeus, e por preocupações ambientais.
O texto final foi concluído no fim de 2024 e, no início de janeiro de 2026, o Conselho da União Europeia autorizou formalmente a assinatura, abrindo caminho para a cerimônia deste sábado.
O evento é realizado no mesmo local onde o Tratado de Assunção, que fundou o Mercosul, foi assinado em 1991.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, cujo país ocupa a presidência rotativa do Mercosul, é o anfitrião do evento.
A delegação europeia é chefiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai participar da cerimônia e será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Próximos passos
Apesar da assinatura, o acordo não entra em vigor imediatamente. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, depois, ratificado pelos Congressos nacionais de cada um dos países-membros do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Este processo pode levar tempo, já que o acordo ainda enfrenta resistência de alguns setores, especialmente agricultores na Europa.
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