
Macron afirma que França votará contra o acordo Mercosul-União Europeia
Reprodução: REUTERS/Gonzalo Fuentes
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia finalmente recebeu o aval político do Conselho Europeu nesta sexta-feira (9). No entanto, o avanço não ocorreu sem turbulências: França, Polônia e Irlanda encabeçaram o bloco de resistência que votou contra a medida, expondo divisões profundas no continente.
Mas por que esses países são tão contrários ao tratado que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo? O principal motivo atende por um nome: protecionismo agrícola.
Na França, o setor agropecuário possui uma influência política gigantesca. O governo de Emmanuel Macron sofre pressão direta de produtores que temem a entrada maciça de carne bovina, soja e açúcar vindos da América do Sul. O argumento é que os produtos do Mercosul chegariam à Europa com preços muito mais baixos, inviabilizando a competição para o produtor local.
A Polônia e a Irlanda seguem uma linha semelhante. Os poloneses, com um setor agrícola em ascensão, veem no Brasil um competidor de peso, enquanto a Irlanda defende fervorosamente sua indústria de carne, que é pilar da economia do país.
Diferenças regulatórias e ambientais
Outro ponto central da discórdia é o que os europeus chamam de "falta de reciprocidade". Países como a França alegam que os produtores do Mercosul não seguem as mesmas exigências ambientais e fitossanitárias impostas pela União Europeia.
Eles argumentam que, enquanto o agricultor europeu precisa cumprir metas rigorosas de descarbonização e restrições ao uso de pesticidas, os sul-americanos teriam custos de produção menores por não estarem submetidos às mesmas regras.
O papel da Itália e os próximos passos
Apesar da oposição ferrenha desse grupo, o acordo avançou graças à mudança de postura da Itália, que acabou votando a favor após a inclusão de salvaguardas adicionais. Com o apoio de Roma, Berlim e Madri, a maioria qualificada foi alcançada.
O próximo desafio será no Parlamento Europeu, onde deputados dos países opositores já prometem novas batalhas jurídicas e políticas para tentar travar a ratificação final do texto.
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