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Acordo Mercosul-União Europeia não 'subiu no telhado', analisa Juliana Rosa

Para a colunista, interesse geopolítico e vantagens econômicas para ambos os blocos, como acesso a produtos e investimentos, mantêm a negociação em pauta apesar dos impasses

Por Redação
REDAÇÃO

19/12/2025 • 14:12 • Atualizado em 19/12/2025 • 14:12

Juliana Rosa
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Resumo

Negociação entre Mercosul e União Europeia permanece ativa após mais de duas décadas, com pressão política dos dois blocos e envolvimento de líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que busca convencer agricultores europeus resistentes ao pacto.

Acordo representa para o Brasil oportunidade de inserção no comércio global, acesso a produtos importados mais baratos para a população de baixa renda e atração de investimentos estrangeiros, especialmente para infraestrutura, diante da limitação de recursos públicos nacionais.

Impacto do tratado no agronegócio brasileiro inclui aumento relativo das exportações, com o Mercosul podendo responder por 70% da carne importada pela Europa, além de ser estratégico para o continente europeu, que busca fortalecer alianças comerciais e conter riscos de fragmentação e influência russa após o Brexit.

Apesar da desconfiança de que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode ter ‘subido no telhado’, a colunista de economia da BandNews FM Juliana Rosa avalia que a negociação, que se estende por mais de duas décadas, ainda tem chances de ser concluída.

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Nesta sexta-feira (19), ela destacou que o pacto segue vivo devido a fortes pressões políticas e interesses estratégicos para ambos os blocos.

Segundo Juliana Rosa, um sinal de que o acordo não está descartado foi a recente ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Na conversa, Meloni teria pedido mais tempo para convencer os agricultores italianos, que fazem parte de um dos setores mais resistentes ao tratado na Europa.

"O gato ainda não subiu no telhado. O gatinho está ali do lado do telhado, mas ainda tem chance desse acordo ser fechado", afirmou a colunista.

Acordo com o Mercosul e competitividade global

De acordo com a análise, para o Brasil, o acordo representa uma oportunidade crucial de inserção competitiva no cenário global. Juliana Rosa explica que o País ainda é considerado uma economia fechada e a participação em blocos comerciais fortalece o potencial de negociação e crescimento.

Um dos principais benefícios diretos para a população brasileira, segundo ela, seria o acesso a uma gama maior de produtos importados a preços mais acessíveis. "Isso é fundamental para o país, tudo muito caro aqui no Brasil. Então, principalmente a população de mais baixa renda não tem acesso a muitos produtos", pontuou.

Outro ponto fundamental destacado por Juliana Rosa é a atração de investimentos. Com a falta de "fôlego público" para impulsionar o crescimento de forma sustentada, o capital estrangeiro, especialmente o europeu, seria vital para o desenvolvimento da infraestrutura do país, como estradas e ferrovias.

Impacto no agronegócio e cenário global

Para o agronegócio brasileiro, embora as cotas de exportação possam parecer pequenas em um primeiro momento, o impacto relativo é significativo. Juliana Rosa utilizou uma analogia para ilustrar o potencial: a cota adicional de carne, por exemplo, equivaleria a "um hambúrguer a mais por ano para um europeu".

"É muito pouco que a gente vai poder exportar mais. Mas, em termos relativos, ele vai fazer muita diferença", analisou. Com o acordo, o Mercosul passaria a ser responsável por 70% de toda a carne que a Europa importa, um salto considerável em relação aos 40% atuais.

Juliana Rosa também aponta que o interesse europeu no acordo vai além das questões comerciais, sendo um movimento geopolítico estratégico. Para a Europa, o pacto é visto como uma forma de garantir parceiros comerciais confiáveis e fortalecer o bloco.

Ela explica que, desde o Brexit, o continente europeu enfrenta um risco de fragmentação e enfraquecimento. Nesse contexto, a consolidação de alianças comerciais é uma maneira de conter o avanço de influências como a da Rússia. "O maior risco da Europa é de fragmentação. [...] A intenção ali do Putin é tomar conta de maiores espaços ali no continente", ressaltou.

Portanto, na visão da jornalista, embora o acordo enfrente resistências, especialmente de setores como o agrícola na França e na Itália, a pressão política e os benefícios estratégicos de longo prazo mantêm a negociação em pauta.

"Tem muita coisa envolvida, então o gato ainda não subiu no telhado. Pode subir, mas o que eu tenho ouvido é que tem muita pressão política também para aprovar esse acordo", concluiu.

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