Diplomatas ouvidos pela colunista da BandNews FM Mônica Bergamo afirmam que o presidente Lula precisará calibrar o discurso sobre Cuba e Venezuela para evitar novos impasses diplomáticos com os Estados Unidos. A relação entre Brasília e Washington passa por uma fase de reconstrução após recentes atritos. Nesta quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, tiveram o primeiro encontro de alto nível na Casa Branca desde o início do governo Trump.
Durante o Jornal BandNews FM desta sexta-feira (17), a jornalista lembrou que o encontro foi considerado produtivo e marcou um “desgelo” nas relações bilaterais. “Se compararmos com o 9 de julho, quando Trump enviou uma carta atacando o Judiciário brasileiro e pedindo a suspensão do processo contra Jair Bolsonaro, o cenário mudou completamente. Bolsonaro está preso, os processos seguem e, agora, Trump telefona para Lula”, observou.
Desafios e divergências
Segundo a colunista, os próximos passos da diplomacia brasileira envolvem a difícil tarefa de dissociar o comércio das disputas políticas. Fontes do Itamaraty ouvidas por Bergamo afirmam que o Brasil pretende manter sua tradição de “concordar em discordar” com os Estados Unidos, princípio que historicamente garantiu boas relações comerciais mesmo em meio a divergências ideológicas.
No entanto, a jornalista pondera que Trump é um presidente de perfil imprevisível e pouco afeito à moderação. “Ele atua em outra sintonia. Vai exigir do Brasil uma calibragem cuidadosa. Lula talvez precise evitar provocações e deixar que o Itamaraty conduza as respostas oficiais”, explicou Bergamo, destacando o papel do chanceler Mauro Vieira na intermediação com Washington.
O discurso de Lula e a reação interna
Durante um congresso do PCdoB, Lula defendeu o direito de autodeterminação dos povos latino-americanos, em uma fala interpretada como crítica direta à política externa dos Estados Unidos. “O povo venezuelano é dono do seu destino e nenhum presidente de outro país deve dar palpite sobre o que acontece em Cuba ou na Venezuela”, afirmou o presidente.
A fala repercutiu entre aliados e diplomatas. O âncora Luiz Megale, da BandNews FM, avaliou que declarações de tom político deveriam ser feitas por vias institucionais. “O Itamaraty existe para isso, não é o caso de bravata de palanque”, comentou. Bergamo, por sua vez, ponderou que a posição brasileira é coerente com o princípio da não intervenção. “Quando o Brasil defende isso, não necessariamente está apoiando Nicolás Maduro, mas se protegendo de possíveis interferências externas”, afirmou.
Diplomacia presidencial e pragmatismo
A jornalista destacou ainda que a chamada “diplomacia presidencial” pode ajudar a reduzir tensões. “O fato de Lula e Trump conversarem diretamente abre caminho para acordos e diminui ruídos entre as equipes”, relatou. Apesar do avanço, ela ressalta que a relação com Trump requer prudência: “O republicano muda de posição com a mesma velocidade com que se aproxima. É preciso combinar firmeza com inteligência diplomática’.
Para Mônica Bergamo, o Brasil vive um momento em que a diplomacia e o pragmatismo precisam caminhar juntos. “A meta é retomar o espírito de ‘concordar em discordar’ sem comprometer os interesses do país”, concluiu.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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