O senador Weverton Rocha (PDT-MA), escolhido por Davi Alcolumbre para relatar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, apresentará um parecer favorável ao nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação é da colunista da BandNews FM Mônica Bergamo, que destaca que o gesto dá ao governo uma primeira vitória simbólica, mas não garante aprovação no plenário, onde a resistência permanece forte.
Relator apoia Messias, mas aprovação segue incerta
Apesar de ter sido indicado por Alcolumbre, hoje o principal articulador contra a nomeação, Weverton Rocha é vice-líder do governo e, por isso, não pode contrariar abertamente o Planalto. Em reunião com Lula, ele apresentou um diagnóstico claro: “o quadro está difícil, mas não está perdido”.
A expectativa é que o relatório positivo seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), embora por margem apertada. A etapa decisiva será o plenário do Senado, onde Messias precisa de 41 votos. Nesse tipo de votação, não basta uma maioria simples dos presentes: é necessário atingir o número mínimo, mesmo se houver ausências.
Mônica Bergamo lembrou que manobras regimentais, como senadores se retirando do plenário, não ajudam Messias, já que o quórum é fixo.
Alcolumbre mantém resistência e amplia pressão
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, trabalhou pela indicação de Rodrigo Pacheco para a vaga de Luiz Roberto Barroso e tem atuado abertamente contra Messias. A colunista explica que o senador não apenas faz oposição política, mas tenta impor ao Executivo sua preferência, ampliando a disputa por poder entre os dois Poderes.
Segundo Bergamo, Lula decidiu não ceder, mantendo sua indicação mesmo diante do risco de derrota — atitude rara na história recente do Supremo.
STF atua nos bastidores para reduzir tensão
Bergamo acrescenta que ministros do Supremo têm conversado com senadores para defender a legitimidade do nome de Messias e afastar a ideia de que ele representaria qualquer ameaça à classe política.
Nomes como André Mendonça, Cássio Nunes Marques, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli têm enviado sinais de apoio técnico ao indicado. Até Alexandre de Moraes, inicialmente resistente, conversou por telefone com Messias para tentar reduzir atritos.
A movimentação busca evitar que a crise entre Senado e Executivo se transforme também em crise com o Judiciário.
Cenário segue aberto e sem solução simples
Para a colunista, o governo está diante de um beco político complexo. Retirar a indicação seria visto como derrota humilhante. Insistir e perder no Senado também seria grave. Do outro lado, mesmo se Messias cair, Alcolumbre não conseguiria impor Pacheco como alternativa — movimento que Lula rejeitou desde o início.
Uma saída ventilada nos bastidores seria antecipar a indicação de uma mulher, especialmente uma jurista negra, demanda histórica de setores progressistas. Interlocutores dizem que o próprio Lula já cogitou isso caso Messias seja rejeitado.
Por enquanto, porém, o governo mantém a estratégia: defender Messias até o fim.
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