
Moraes autorizou progressão para regime semiaberto de hacker Walter Delgatti
Antonio Augusto/STF
Resumo
Decisão do ministro Alexandre de Moraes autorizou a progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto, condenado a oito anos e três meses de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça e inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio ministro, após defesa alegar cumprimento dos requisitos legais e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.
Condenação de Walter Delgatti Neto e da ex-deputada Carla Zambelli ocorreu em maio de 2025 pelo crime de invasão ao CNJ, com Zambelli apontada como mandante e sentenciada a dez anos de prisão e perda do mandato, sob acusação de tentativa de desacreditar o Poder Judiciário e levantar suspeitas sobre as eleições de 2022.
Transferência de Delgatti para um estabelecimento compatível com o regime semiaberto depende de providências da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, com possibilidade de revogação do benefício em caso de novo crime ou condenação e pendência de outros processos, incluindo o caso "Vaza Jato" e o pedido de extradição de Zambelli, presa na Itália.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (12) a progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto, do fechado para o semiaberto. Preso desde agosto de 2023, Delgatti foi condenado a oito anos e três meses de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio ministro. A decisão atende a um pedido da defesa, que alegou que o hacker já cumpriu os requisitos legais para o benefício, como o cumprimento de 20% da pena e bom comportamento carcerário.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou favoravelmente à progressão de regime. Com a medida, Delgatti precisará dormir na prisão, mas poderá sair durante o dia para trabalhar ou estudar, retornando à unidade prisional à noite. Moraes determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo adote as providências para a transferência a um estabelecimento compatível com o novo regime.
O crime e a condenação
Walter Delgatti Neto foi condenado em maio de 2025, junto com a então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), pela invasão ao sistema do CNJ ocorrida em janeiro de 2023. Segundo a acusação, o objetivo era desacreditar o Poder Judiciário e levantar suspeitas sobre a lisura das eleições de 2022. Zambelli foi apontada como a mandante do crime e condenada a 10 anos de prisão, além da perda do mandato.
Durante a invasão, Delgatti inseriu documentos falsos no sistema, como uma ordem de quebra de sigilo bancário e um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes, "assinado" pelo próprio ministro. A defesa de Delgatti alegou que ele cumpriu mais de 20% da pena, um dos requisitos para a progressão para o regime semiaberto para reincidentes que não cometeram crime com violência ou grave ameaça.
Próximos passos e outras pendências
Com a decisão, Delgatti será transferido para uma colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar. O benefício, no entanto, pode ser revogado caso ele cometa um novo crime doloso, uma falta grave ou seja condenado em outro processo com trânsito em julgado. O hacker ainda responde por outros processos, incluindo a invasão de celulares de autoridades da Operação Lava Jato, caso que ficou conhecido como "Vaza Jato".
Nesse processo, ele foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão, mas recorre em liberdade. A ex-deputada Carla Zambelli, também condenada no caso da invasão do CNJ, foi presa na Itália e o Brasil aguarda a decisão sobre um pedido de extradição para que ela cumpra a pena no país.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


