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Morre a lenda do basquete Oscar Schmidt, aos 68 anos

Ex-jogador passou mal em casa e foi levado às pressas para um hospital em São Paulo

Alinne Fanelli
ALINNE FANELLI

17/04/2026 • 16:55 • Atualizado em 17/04/2026 • 16:55

Oscar em ação pela seleção nas Olimpíadas de 1996

Oscar em ação pela seleção nas Olimpíadas de 1996

FIBA/Reprodução

O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morre nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, após passar mal e ser levado às pressas para o hospital. As causas da morte não foram reveladas pela família. O atleta deixa a esposa e dois filhos, Felipe e Stephanie.

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Ele descobriu em 2011 um tumor no cérebro e, desde então, vinha tratando a doença, tendo passado por duas grandes cirurgias na cabeça, uma em 2011 e outra em 2013, além de intensas de radioterapia e quimioterapia.

Em 2022, Oscar anunciou que havia interrompido a quimioterapia com autorização médica, pois os exames não mostravam mais sinais de evolução da doença.

A família informou que o ex-jogador passou por uma nova cirurgia recentemente, mas sem divulgar detalhes do procedimento. Desde então, Oscar estava em casa, de repouso, por isso, não compareceu à homenagem que foi feita a ele pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Ele foi incluído no Hall da Fama do COB no último dia 8 de abril, em cerimônia realizada no Copacabana Palace.

O “Mão Santa” é considerado o melhor jogador brasileiro de basquete de todos os tempos e é um dos raros atletas no mundo a estar no Hall da Fama da FIBA, da Itália e no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame dos EUA.

Oscar Daniel de Bezerra Schimdt nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 16 de fevereiro de 1958.

A LENDA DO BASQUETE

Com 49.737 pontos marcados em toda a carreira, Oscar deteve o recorde de maior cestinha do mundo, até ser superado por Lebron James, em 2024.

A vibração de Oscar em cada cesta feita, em cada campeonato conquistado, sempre emocionou os colegas e torcedores. O prazer demonstrado todas as vezes em que defendia a seleção brasileira foi uma das marcas da carreira dele.

A estreita relação que tinha com a camisa amarela era motivo de orgulho para o “Mão Santa”. Foi jogando pela seleção brasileira que Oscar conquistou o título mais importante da carreira.

No Pan-americano de 1987, disputado em Indianápolis, o Brasil surpreendeu o mundo ao vencer os Estados unidos em uma final história e emocionante com a liderança dele, que marcou 46 pontos. A partir daquele jogo, Oscar passou a ser reconhecido como um dos grandes jogadores de basquete do mundo.

Oscar chegou a ser convidado várias vezes para jogar na NBA, a liga de basquete profissional dos Estados Unidos. Mas sempre negou o convite, pois não queria deixar de defender a seleção brasileira.

No Brasil, Oscar atuou por seis equipes. Começou a carreira em 1974, no Palmeiras. Depois disso, defendeu Sírio, Corinthians, Bandeirantes, Barueri e Flamengo. Durante 13 anos, jogou também na Europa, em equipes da Itália e da Espanha. Foram 12 títulos conquistados nos clubes pelos quais passou.

Para os colegas de profissão, Oscar sempre foi um exemplo de dedicação. Para os torcedores, um dos maiores ídolos do esporte brasileiro.

O apelido era mesmo “Mão Santa”, mas segundo ele próprio, a mão só foi santificada a custa de muito trabalho.

Oscar parou de jogar em 2003, aos 45 anos.

O “Mão Santa” um dos raros jogadores de basquete que disputaram cinco jogos olímpicos. Em 30 anos de carreira, foram dezenas de recordes acumulados. Alguns deles são praticamente insuperáveis:

  • Maior número de pontos marcados em Campeonatos Mundiais – 843.
  • Maior número de pontos em um jogo de olimpíada – 55, contra a Espanha, em 1988, em Seul.
  • Maior número de pontos em um jogo de pan-americano – 53, contra o México em 1987.
  • Ao todo, são 24 marcas históricas alcançadas.

A BUSCA POR UM ESPAÇO NA POLÍTICA

Fora das quadras, Oscar se candidatou ao senado, em São Paulo, pelo Partido Progressista. Derrotado nas eleições de 1998, desistiu da carreira política.

Passou, então, a lutar por melhorias na organização do basquete brasileiro. Criou a Nossa Liga de Basquete, extinta pouco tempo depois.

Mas a iniciativa de Oscar contribuiu para o surgimento do Novo Basquete Brasil, liga que atualmente é disputada pelos maiores clubes do País. A oposição feita à Confederação Brasileira de Basquete rendeu muitos inimigos a Oscar. Fora das quadras, o ex-jogador enfrentou outras batalhas difíceis.

Oscar teve um mal estar hoje e foi levado para o Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba. As informações sobre velório e enterro da lenda do basquete brasileiro ainda não foram divulgadas.

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