Band News FM
BandNews FM

Mounjaro para crianças? Entenda a nova autorização da Anvisa

Anvisa liberou nesta quarta (22) o tratamento com tirzepatida para pacientes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2

Por Redação
REDAÇÃO

22/04/2026 • 15:36 • Atualizado em 22/04/2026 • 15:36

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso da substância tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. A liberação representa um novo caminho para o controle da doença, que, segundo especialistas, está cada vez mais presente em jovens.

Compartilhar

O subtipo 2 do diabetes não é hereditário e se caracteriza pela dificuldade do corpo em aproveitar a insulina que produz. Normalmente, está ligado a hábitos alimentares inadequados, sobrepeso, sedentarismo e, por isso, era mais diagnosticado em adultos. O diretor do serviço de Endocrinologia do Iamspe, Evandro Portes, explica que o perfil do paciente hoje está mais amplo:

Esse tipo de diabetes, que acomete mais comumente adultos, é cada vez mais diagnosticado entre crianças e adolescentes pelo fato dessa população, hoje, ter menos atividade física e um ganho de peso exagerado

Até agora, as opções de tratamento para o público infanto-juvenil não apresentavam a mesma eficácia observada em adultos. Portes destaca a superioridade da nova medicação. "A tirzepatida mostrou ser muito superior a esses medicamentos, levando a um controle glicêmico de mais de 80% da população estudada", diz o médico, que acrescenta que a substância "trouxe uma perda de peso de aproximadamente, em média, de 10%. [...] Essa perda de peso é muito desejada nessa população".

Próximas etapas e o risco do uso indevido

A aprovação da Anvisa, baseada em estudos de fase 3, segue a mesma linha de agências regulatórias dos Estados Unidos e da Europa. A endocrinologista Lorena Lima Amato, doutora pela USP, acredita que as indicações do medicamento devem ser ampliadas no futuro.

Ainda não temos liberação dessa medicação para tratar a obesidade nas crianças a partir de 10 anos. No entanto, com a evolução dos estudos, existe uma possibilidade que isso aconteça

A especialista alerta, no entanto, para a importância do acompanhamento profissional, já que o tratamento em jovens exige cautela. "Imagine uma criança em idade escolar tendo náuseas, vômitos, então o cuidado é redobrado", afirma Lorena. Para ela, "somente um bom acompanhamento médico e a conscientização da população de que esse acompanhamento é imprescindível é que vai nos auxiliar para que não haja indicações incorretas do uso de medicamentos".

Tópicos relacionados