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Nomeação de Tadeu Alencar para ministério aponta para crise no PSB

O novo ministro do Empreendedorismo fez parte da articulação do impeachment de Dilma Rousseff

Thayane Melo
THAYANE MELO

06/04/2026 • 12:41 • Atualizado em 06/04/2026 • 12:41

Tadeu Alencar

Tadeu Alencar

https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2023-06/estrategia-nacional-povos-indigenas-na-politica-sobre-drogas-1685981986

Resumo

Nomeação do presidente Lula de Tadeu Alencar como ministro do Empreendedorismo desencadeou crise política e familiar no PSB, envolvendo diretamente o núcleo do partido.

Articulação de Tadeu como parte do “grupo dos 8” e sua ascensão automática ao cargo causaram contradição política e desgaste junto à base ideológica, enquanto ligação familiar com João Campos intensificou o conflito e ampliou o impacto para o ambiente doméstico.

Reação de João Campos, pressão de familiares e disputa por indicação de Paulo Pereira, aliado de Tabata Amaral, transformaram a escolha do ministro em dilema pessoal, agravado por tensão interna, fragilidade partidária e apagamento de mensagem oficial do PSB.

Depois do presidente Lula nomear Tadeu Alencar como novo ministro do Empreendedorismo na última sexta-feira, uma crise que atinge diretamente o núcleo político e familiar do PSB foi desencadeada.

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Tadeu atuou como articulador do chamado “grupo dos 8”, bloco de deputados que atuou na construção de votos para o Impeachment de Dilma Rousseff. Nos bastidores, a avaliação é de que a presença de Tadeu no governo cria uma contradição política, gerando desgaste junto à base mais ideológica.

A forma como Tadeu chegou à posição também chama atenção. Pela regra interna, o secretário-executivo assume quando o ministro deixa o cargo. Tadeu ocupava essa função e não se movimentou publicamente, jogou parado. Enquanto isso, Márcio França deixou o cargo para disputar eleição. Com o caminho livre, a Casa Civil adotou Tadeu como solução automática. A nomeação ocorreu quase por inércia administrativa.

O que poderia ser apenas mais uma substituição ganhou proporções maiores por um fator decisivo, a ligação familiar. O filho de Tadeu é casado com a irmã de João Campos. A partir desse ponto, a disputa deixou de ser exclusivamente política e passou a afetar diretamente o ambiente familiar.

João reagiu com irritação ao saber da movimentação sem ter sido consultado. Tentou contato com Lula, mas não conseguiu. Em seguida, acionou interlocutores do governo, como Miriam Belchior, em busca de explicações. Em conversas reservadas, deixou clara sua insatisfação e passou a defender a exoneração imediata.

O cenário se agravou quando a disputa ganhou novos contornos dentro da própria família. Tadeu procurou diretamente Renata Campos, mãe de João, para reforçar sua permanência no cargo. O argumento foi simples, já está na função e faz parte da família.

Ao mesmo tempo, surgiu um segundo nome na disputa, Paulo Pereira, ligado à deputada Tabata Amaral, esposa de João. A indicação teria como objetivo atender à nova composição familiar e política.

Com isso, João passou a enfrentar uma pressão tripla, da mãe, da esposa e do próprio governo federal. A escolha deixou de ser apenas uma decisão administrativa e se transformou em um dilema pessoal. Apoiar Tadeu agrada a mãe, mas gera desgaste no casamento. Apoiar o nome ligado à esposa resolve um lado, mas cria ruptura com a família tradicional.

O casamento recente intensifica o peso da decisão. Segundo relatos, o clima interno é de forte tensão.

A crise, que até então se desenrolava nos bastidores, veio a público depois do PSB publicar uma mensagem oficial parabenizando a posse de Tadeu, e em menos de 30 minutos, a publicação ter sido apagada.

A avaliação é de fragilidade e divisão interna no partido e dentro da família.