
Diesel e o etanol não sofreram reajustes (Foto: Agência Brasil)
Diesel e o etanol não sofreram reajustes (Foto: Agência Brasil)
Resumo
A Petrobras anunciou redução de R$ 0,35 no preço do diesel para distribuidoras, passando de R$ 3,65 para R$ 3,30, em medida que reflete a renovação do subsídio federal para mitigar a alta internacional do petróleo e compensar a reoneração de impostos PIS e Cofins.
O repasse do desconto ao consumidor final é incerto devido às margens dos revendedores e fatores logísticos, enquanto o petróleo Brent recuou para US$ 93, mas o preço segue pressionado por instabilidade geopolítica; o governo renovou também subsídios para gás de cozinha e querosene de aviação.
As previsões econômicas indicam inflação acima de 5%, mantendo a taxa Selic alta e dificultando a recuperação econômica, enquanto as medidas fiscais do governo geram contradição ao combinar subsídios para combustíveis e estímulos ao consumo, aumentando a pressão inflacionária.
A Petrobras anunciou que, a partir desta segunda-feira (1), o preço médio de venda do diesel para as distribuidoras terá uma redução de R$ 0,35 por litro, passando de R$ 3,65 para R$ 3,30.
A medida reflete a renovação do subsídio concedido pelo governo federal para suavizar o impacto da alta internacional do petróleo decorrente dos conflitos no Oriente Médio, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.
A redução de 9,6% nas distribuidoras busca neutralizar o impacto da reoneração dos impostos federais PIS e Cofins.
No entanto, o repasse desse desconto ao consumidor final nas bombas dos postos de combustíveis ainda é considerado incerto, pois depende das margens de lucro dos revendedores e de fatores logísticos regionais.
Desafios no repasse e cenário do petróleo
A jornalista ressaltou que o repasse do alívio ao consumidor final costuma ser lento e que as pesquisas da Agência Nacional do Petróleo já apontavam uma queda nos preços pela quinta semana consecutiva.
Isso ocorre porque o refino nacional opera em capacidade máxima. Além disso, o petróleo Brent recuou para a casa dos US$ 93 após ultrapassar os US$ 100.
Apesar do recuo recente, o preço do barril segue pressionado devido às dificuldades de negociação diplomática entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. Diante das incertezas no cenário geopolítico, o governo federal também renovou as subvenções destinadas ao gás de cozinha e ao querosene de aviação.
Impactos fiscais e rumos da inflação
As projeções econômicas trazem preocupações adicionais. De acordo com o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda, as previsões para a inflação oficial continuam subindo, ficando acima de 5%, o que impacta diretamente os custos de alimentos, produtos e serviços por todo o país.
O avanço inflacionário deve manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados. Esse ambiente de juros altos representa um obstáculo direto para a recuperação econômica, prejudicando famílias e empresas com alto endividamento que dependem de crédito mais barato para equilibrar as contas públicas e privadas.
Juliana Rosa pontuou que as medidas fiscais do governo geram um contrassenso econômico. Ao mesmo tempo em que a gestão federal adota subsídios para segurar combustíveis, como detalhado anteriormente em debate sobre subsídios para o óleo diesel, anuncia estímulos ao consumo, o que eleva a pressão sobre a inflação.
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