Resumo
O anúncio de um acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã provocou forte queda no preço internacional do petróleo, com o barril Brent chegando a US$ 80 devido à promessa de reabertura do Estreito de Ormuz, canal estratégico para o comércio global de petróleo.
A defasagem acumulada pela Petrobras, resultado de medidas como subsídios e desonerações, indica que os preços dos combustíveis no Brasil permanecerão elevados por mais tempo, enquanto a estatal busca recompor seu caixa após a crise no Oriente Médio.
A redução no preço do petróleo deve beneficiar diretamente o setor de aviação civil, com possibilidade de queda nas tarifas das passagens aéreas e alívio nos custos industriais, mas a inflação de 2026 segue pressionada por fatores internos como alta nos alimentos causada pelo El Niño e políticas de estímulo ao consumo.
O anúncio de um acordo de paz preliminar entre os Estados Unidos e o Irã, previsto para ser assinado nesta sexta-feira (19), provocou um forte recuo no preço do petróleo no mercado internacional nesta segunda-feira (15). A cotação do barril do tipo Brent, referência no Brasil, desabou para a casa dos US$ 80, refletindo a promessa de reabertura do Estreito de Ormuz, canal estratégico por onde escoa um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.
Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, o fim do bloqueio na rota marítima reduz de forma imediata o risco geopolítico global, mas alerta que o recuo do mercado internacional não significa que os preços dos combustíveis no país vão despencar de forma imediata.
Alívio nos combustíveis será gradual no Brasil
Juliana alega que as medidas anteriores adotadas pelo governo federal, como subsídios, subvenções e desonerações, serviram para segurar a disparada do diesel, da gasolina e do etanol nos últimos meses. Por conta desse represamento, a Petrobras ainda acumula uma defasagem em relação aos custos internacionais.
A expectativa dos especialistas, ouvidos pela colunista, é de que a estatal brasileira mantenha os preços dos combustíveis em patamares mais elevados por um período prolongado. Essa estratégia visa refazer o caixa da Petrobras, que não foi totalmente compensado pelas subvenções liberadas durante o pico da crise no Oriente Médio.
Queda nas passagens aéreas e rumos da inflação
Por outro lado, o setor de aviação civil deve ser beneficiado. Como o aumento do querosene de aviação foi repassado integralmente para as tarifas das companhias aéreas, a queda do petróleo abre espaço direto para uma redução no preço das passagens aéreas .
O setor industrial e de embalagens plásticas também deve ter alívio nos custos de produção.
No entanto, Juliana Rosa pondera que o "coração da inflação de 2026" continuará sob forte pressão devido a fatores internos. A alta nos preços dos alimentos é impulsionada pelos efeitos severos do fenômeno climático El Niño e pelas contínuas medidas governamentais para estimular o consumo das famílias brasileiras.
Agora, o mercado financeiro aguarda a assinatura oficial do acordo de paz entre EUA e Irã, prevista para acontecer na sexta-feira (19), na Suiça, além da reabertura total Estreito de Ormuz para garantir a navegação comercial segura.
Embora o recuo do barril traga otimismo, analistas alertam que a retomada completa da produção de energia pode levar de semanas a meses, mantendo o cenário de atenção econômica para o restante de 2026.
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