
Aeroporto de Guarulhos
Reprodução/Jornal da Noite
Resumo
O aumento de 55% no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras começou a impactar o custo das passagens aéreas, com especialistas como o piloto Rafael Santos prevendo encarecimento progressivo e redução da frequência de voos.
A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo internacionalmente, pressionando as companhias aéreas brasileiras, que não conseguem absorver o aumento e repassam o custo ao consumidor, tornando estratégias alternativas insuficientes.
A Petrobras oferecerá parcelamento do reajuste para distribuidoras e o governo federal avalia medidas como redução de impostos, mas o cenário permanece desafiador enquanto durar o conflito, com impactos sentidos globalmente e recomendações para compra antecipada de passagens.
O aumento de cerca de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras já começa a impactar quem pretende viajar neste ano. Segundo o piloto de linha aérea Rafael Santos, criador do canal de aviação Teaching for Free, a tendência é que as passagens encareçam a cada dia mais.
"Em torno de 30% a 35% do custo fixo da operação aérea é combustível de aviação. Então tem um impacto direto", afirmou o especialista. Ele prevê como principais consequências imediatas o aumento de tarifas e a redução da frequência de voos.
A medida da estatal começa a valer já nesta quarta-feira (1º). Ela ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional causada pela guerra no Oriente Médio. O combustível pressiona as companhias e o reajuste deve chegar rapidamente ao bolso dos consumidores.
O piloto Rafael Santos explica que as empresas aéreas não têm como absorver um aumento dessa magnitude. Ele indica que, para tentar conter a alta, a indústria "abastece onde o querosene é mais barato”. No entanto, com o barril de petróleo ultrapassando os US$ 120, essa estratégia se torna insuficiente. "É como com o carro: antes, abastecia a R$ 5 e agora, a R$ 10; ou você banca esse aumento e continua rodando ou para de rodar", compara.
Para quem planeja viajar, a recomendação do especialista é a antecipação. "Eu sugiro, se você quer viajar, que compre o mais rápido possível para segurar o preço", aconselha. Para quem pode esperar, ele orienta acompanhar o cenário, porque uma eventual queda no preço do petróleo tende a aliviar as tarifas, mesmo que de maneira mais lenta no Brasil por conta da falta de concorrência.
O que esperar para o futuro?
Enquanto o conflito no Oriente Médio durar, a perspectiva é de um cenário desafiador para a aviação. Segundo Rafael Santos, as companhias aéreas devem entrar em "modo de emergência", reduzindo rotas e custos. Ele ressalta que esse é um movimento global, que afeta empresas também em países como os próprios Estados Unidos.
Apesar do reajuste de 55%, a Petrobras informou que oferecerá às distribuidoras a possibilidade de parcelar parte do aumento. As empresas poderão pagar 18% da diferença de valor em abril e parcelar o restante em até seis vezes a partir de julho. A medida busca mitigar os efeitos no setor, mas, para o consumidor, o impacto ainda será sentido.
O governo federal também estuda medidas para conter a alta, como a redução de impostos que incidem sobre o setor aéreo, mas ainda não há definições.


