
Jerome Powell
Reuters
Resumo
Abertura de investigação criminal pela Procuradoria dos EUA contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, foca em supostas declarações falsas ao Senado sobre reforma da sede do banco central, orçada em 2,5 bilhões de dólares.
Acusações de má gestão e pressão política intensificadas por aliados de Donald Trump, como a procuradora Jeanine Pirro, têm relação com aumento de custos da obra e críticas sobre transparência; Powell nega irregularidades, atribuindo alta de gastos a fatores econômicos e necessidade de renovação do prédio.
Tensões entre Federal Reserve e governo Trump aumentam, com investigação considerada ameaça à independência da instituição por analistas e ex-presidentes do Fed, enquanto Powell defende autonomia nas decisões sobre juros e mandato dele termina em maio.
A Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Columbia abriu uma investigação criminal contra o presidente do Banco Central americano (Federal Reserve), Jerome Powell. A apuração se concentra em um depoimento dado por ele ao Senado, em junho do ano passado, sobre a reforma da sede do Fed em Washington. A suspeita é que Powell tenha prestado declarações falsas a respeito da obra, estimada em 2,5 bilhões de dólares.
Em um vídeo divulgado no domingo (11) em redes sociais, Powell afirmou que a investigação é uma retaliação e está sendo usada como instrumento político. Segundo ele, a "ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao interesse público, em vez de seguir as preferências do presidente". O Fed confirmou ter recebido intimações para um grande júri.
Críticas e contexto político
A reforma dos edifícios do Federal Reserve tem sido alvo de críticas por parte do governo de Donald Trump, que acusa Powell de má gestão e de mentir ao Congresso sobre o escopo e o custo do projeto. Aliados de Trump, como a procuradora Jeanine Pirro, que autorizou a investigação em novembro, intensificaram a pressão sobre o Fed. A obra, que começou em 2022 e tem previsão de término em 2027, teve um aumento de custo de cerca de 700 milhões de dólares em relação ao orçamento inicial.
Powell, por sua vez, nega irregularidades e afirma que o aumento dos custos se due a fatores como a alta de preços de materiais e mão de obra, além de adaptações necessárias em edifícios históricos. Durante o depoimento ao Senado, ele negou que a reforma incluísse itens de luxo, como novos elevadores de mármore ou jardins no terraço, afirmando que o prédio "não é realmente seguro" e precisava de uma renovação séria.
Independência do Fed em jogo
O episódio acirra a tensão entre o Federal Reserve e o governo Trump, que há meses pressiona por cortes mais agressivos na taxa de juros para estimular a economia. Powell, que foi nomeado para o cargo pelo próprio Trump em 2018, tem resistido às pressões, defendendo a autonomia do banco central para tomar decisões com base em dados econômicos.
A investigação é vista por analistas e até por ex-presidentes do Fed, como Janet Yellen e Ben Bernanke, como uma ameaça sem precedentes à independência da instituição. O mandato de Powell como presidente do Fed termina em maio, e Trump já sinalizou que escolherá um sucessor alinhado às suas políticas.
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