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“Retirada de tarifas é de ‘interesse exclusivo’ dos EUA”, diz ex-embaixador

Rubens Barbosa afirma à BandNews FM que decisão beneficia o Brasil, mas não representa avanço nas negociações bilaterais

Da redação
DA REDAÇÃO

21/11/2025 • 09:41 • Atualizado em 21/11/2025 • 09:41

Donald Trump retirou sobretaxa a 212 produtos brasileiros

Donald Trump retirou sobretaxa a 212 produtos brasileiros

Kent Nishimura/Reuters

“A retirada da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros ocorreu por “interesse exclusivo” de Washington”, afirmou o presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa, em entrevista à BandNews FM. O ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington avalia que, apesar da comemoração do governo federal, a medida não representa um avanço nas tratativas comerciais entre os dois países.

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Segundo Barbosa, fatores internos da política norte-americana pesaram diretamente na decisão. Ele citou o cenário pós-eleitoral adverso para Donald Trump e sinais de pressão inflacionária na “ponta”, que não aparecem ainda nos indicadores agregados. Além disso, destacou que a lista de bens liberados — como carnes, café e frutas — contempla produtos especialmente sensíveis para o consumidor americano. “Esses eram os mais visados. A motivação foi exclusivamente o interesse americano”, afirmou.

Decisão unilateral e impasse diplomático

Barbosa classificou a medida como mais um exemplo de um “mundo sem regras”, em que decisões unilaterais substituem a mediação de organismos internacionais. O ex-embaixador lembrou que o Brasil tem buscado negociar a redução de tarifas, mas não houve avanço concreto até agora. Ele citou conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além de reuniões do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o secretário de Estado americano.

“Estamos celebrando, e com razão, porque foi positivo para a economia brasileira. Mas do ponto de vista da negociação bilateral, não avançou nada. Nada foi marcado”, afirmou. Segundo Barbosa, temas paralelos — como a investigação da Seção 301 da lei de comércio e o debate sobre big techs — seguem sem solução e travam o diálogo

Produtos ainda prejudicados e foco em setores industriais

Apesar da retirada de tarifas para itens relevantes, Barbosa lembrou que setores importantes permanecem afetados. Ele citou o café solúvel, máquinas e equipamentos como áreas que “continuam prejudicadas”. Esses dois segmentos, afirma, têm peso significativo na pauta exportadora brasileira e deveriam receber prioridade nas próximas rodadas de negociação.

Para o ex-embaixador, a cobrança agora é para que a prometida reunião bilateral seja marcada. Ele mencionou que o senador americano Marco Rubio havia assegurado ao chanceler Mauro Vieira que a data seria definida ainda esta semana — o que não se confirmou. “O governo brasileiro tem que insistir. Só com essa reunião será possível examinar os produtos que realmente interessam ao Brasil”, disse.

Big Techs devem dominar a próxima rodada

Barbosa ressaltou que o tema mais sensível na relação Brasil–EUA não é a tarifa, e sim a regulação das grandes empresas de tecnologia. Para ele, esse será o ponto central do diálogo quando a reunião ocorrer.

O embaixador destacou que os Estados Unidos têm forte interesse estratégico no setor, o que coloca o debate no campo da geopolítica. Ao mesmo tempo, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal e iniciativas do governo brasileiro para criar regras de responsabilização e possíveis medidas tributárias devem entrar diretamente na mesa de negociação.

A informação de que o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, tem se reunido com representantes das plataformas digitais foi vista por Barbosa como um sinal de preparo técnico. “Isso pode facilitar muito a negociação”, avaliou. Ainda assim, alertou que os entraves são complexos e exigirão forte articulação diplomática.

Ao final da entrevista, o ex-embaixador reforçou que, embora a decisão americana traga alívio aos exportadores brasileiros, ela não decorre de concessões ou acordos bilaterais. “O Brasil não cedeu nada em troca. A retirada se deu por razões internas americanas”, concluiu.

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.

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