A Rússia rejeitou a versão revisada do plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, que incorporou sugestões da Ucrânia e de aliados europeus. Moscou classificou as mudanças como “inadmissíveis” e endureceu o tom: o presidente Vladimir Putin declarou que “não deseja guerra com a Europa, mas que a Rússia está pronta”, declaração que acendeu o alerta entre países europeus.
Motivos para a rejeição russa
De acordo com Kieling, o enviado americano Steve Witkoff teve mais de cinco horas de reuniões em Moscou, mas saiu sem acordo. A Rússia se opõe principalmente a três pontos:
- manutenção do tamanho do Exército ucraniano, que Washington e Kiev propõem reduzir, mas não ao nível exigido por Moscou;
- ausência de concessões territoriais, sobretudo em Donbass, região onde a Ucrânia ainda controla cerca de 15% do território;
- garantias de segurança consideradas insuficientes pelos russos.
A Ucrânia afirma que não aceitará entregar Donbass, área estratégica pela qual milhares de soldados já morreram. A Europa apoia essa posição.
Europa teme não conseguir conter a Rússia
Kieling relata que a fala de Putin sobre “estar pronto para uma guerra” repercutiu de forma intensa nas capitais europeias. Apesar de terem economias mais robustas que a Rússia, países da União Europeia não investiram em defesa por décadas e dependem historicamente dos Estados Unidos.
O correspondente destaca que:
- o exército britânico tem menos de 80 mil soldados — menos que a Polícia Militar de São Paulo;
- a Polônia, com pouco mais de 200 mil militares, é hoje o maior exército ativo da União Europeia;
- França e Reino Unido juntos somam menos de 200 mil militares no Exército;
- não há integração logística ou militar: tanques, munições e sistemas de lançamento não são compatíveis entre si;
- a Europa enfrenta também uma guerra híbrida, com ataques cibernéticos, sabotagens e interferência russa em processos democráticos.
Um documento vazado do Ministério da Defesa da Alemanha afirma que uma guerra direta Rússia–Europa é possível a partir de 2029, caso a escalada atual continue.
EUA pressionam por acordo, mas posições seguem distantes
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, demonstrou otimismo após conversas recentes com a Ucrânia, mas a distância entre as posições continua grande.
Trump, que conduz informalmente a mediação, deseja anunciar um acordo “breve” que represente seu protagonismo diplomático. Para isso, enviará novos emissários a Kiev e Moscou.
Kieling explica que, enquanto os EUA buscam rapidez, a Europa pede cautela e a Ucrânia exige garantias:
- de que a Rússia não voltará a invadir o país;
- de que eventuais concessões não premiem agressão militar;
- e de que sanções e proteção internacional não sejam desmontadas de forma prematura.
Um mundo mais instável e uma Europa em reconstrução
Kieling ressalta que o mundo de alianças estáveis e segurança garantida pelos EUA — vigente desde o pós-Segunda Guerra — está se desfazendo. Agora, países europeus voltam a investir em defesa, ampliar efetivos e modernizar arsenais, mas esse processo levará anos.
Enquanto isso, a Rússia mantém o maior arsenal nuclear do mundo e segue ganhando terreno militar na Ucrânia, como na tomada recente da cidade estratégica de Pokrovsk.
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