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Rússia rejeita plano de paz na Ucrânia e eleva alerta militar na Europa

Putin descarta proposta revisada por ucranianos e americanos, cita prontidão para guerra e Europa admite fragilidade militar

Da redação
DA REDAÇÃO

03/12/2025 • 11:55 • Atualizado em 03/12/2025 • 11:55

Felipe Kieling

A Rússia rejeitou a versão revisada do plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, que incorporou sugestões da Ucrânia e de aliados europeus. Moscou classificou as mudanças como “inadmissíveis” e endureceu o tom: o presidente Vladimir Putin declarou que “não deseja guerra com a Europa, mas que a Rússia está pronta”, declaração que acendeu o alerta entre países europeus.

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Motivos para a rejeição russa

De acordo com Kieling, o enviado americano Steve Witkoff teve mais de cinco horas de reuniões em Moscou, mas saiu sem acordo. A Rússia se opõe principalmente a três pontos:

  • manutenção do tamanho do Exército ucraniano, que Washington e Kiev propõem reduzir, mas não ao nível exigido por Moscou;
  • ausência de concessões territoriais, sobretudo em Donbass, região onde a Ucrânia ainda controla cerca de 15% do território;
  • garantias de segurança consideradas insuficientes pelos russos.

A Ucrânia afirma que não aceitará entregar Donbass, área estratégica pela qual milhares de soldados já morreram. A Europa apoia essa posição.

Europa teme não conseguir conter a Rússia

Kieling relata que a fala de Putin sobre “estar pronto para uma guerra” repercutiu de forma intensa nas capitais europeias. Apesar de terem economias mais robustas que a Rússia, países da União Europeia não investiram em defesa por décadas e dependem historicamente dos Estados Unidos.

O correspondente destaca que:

  • o exército britânico tem menos de 80 mil soldados — menos que a Polícia Militar de São Paulo;
  • a Polônia, com pouco mais de 200 mil militares, é hoje o maior exército ativo da União Europeia;
  • França e Reino Unido juntos somam menos de 200 mil militares no Exército;
  • não há integração logística ou militar: tanques, munições e sistemas de lançamento não são compatíveis entre si;
  • a Europa enfrenta também uma guerra híbrida, com ataques cibernéticos, sabotagens e interferência russa em processos democráticos.

Um documento vazado do Ministério da Defesa da Alemanha afirma que uma guerra direta Rússia–Europa é possível a partir de 2029, caso a escalada atual continue.

EUA pressionam por acordo, mas posições seguem distantes

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, demonstrou otimismo após conversas recentes com a Ucrânia, mas a distância entre as posições continua grande.

Trump, que conduz informalmente a mediação, deseja anunciar um acordo “breve” que represente seu protagonismo diplomático. Para isso, enviará novos emissários a Kiev e Moscou.

Kieling explica que, enquanto os EUA buscam rapidez, a Europa pede cautela e a Ucrânia exige garantias:

  • de que a Rússia não voltará a invadir o país;
  • de que eventuais concessões não premiem agressão militar;
  • e de que sanções e proteção internacional não sejam desmontadas de forma prematura.

Um mundo mais instável e uma Europa em reconstrução

Kieling ressalta que o mundo de alianças estáveis e segurança garantida pelos EUA — vigente desde o pós-Segunda Guerra — está se desfazendo. Agora, países europeus voltam a investir em defesa, ampliar efetivos e modernizar arsenais, mas esse processo levará anos.

Enquanto isso, a Rússia mantém o maior arsenal nuclear do mundo e segue ganhando terreno militar na Ucrânia, como na tomada recente da cidade estratégica de Pokrovsk.

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