Resumo
A escolha do governador Ronaldo Caiado como candidato presidencial do PSD, coordenada por Gilberto Kassab, indica a ausência de espaço para uma terceira via no cenário nacional e foi baseada em pesquisas eleitorais que apontam a polarização política.
O processo interno do PSD priorizou a viabilidade eleitoral, com pesquisas como principal critério, e gerou reação de Eduardo Leite, que inicialmente demonstrou insatisfação, mas é esperado que se retrate e declare apoio ao escolhido em nome da unidade partidária.
A decisão do partido fortalece a oposição ao governo Lula, com Caiado assumindo papel de crítico ao longo da campanha, enquanto o eleitorado centrista é considerado insuficiente para uma candidatura majoritária, repetindo o desempenho de Simone Tebet na última eleição.
O colunista da BandNews FM e cientista político Fernando Schüler avalia que a escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como o nome do PSD para a disputa presidencial, em detrimento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, representa um forte sinal político do partido de que não há espaço para uma "terceira via" no Brasil. Para ele, a decisão, coordenada pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, foi pragmática e baseada em pesquisas, refletindo a atual polarização do cenário nacional.
Segundo Schüler, o processo de escolha da sigla, embora não tenha sido uma primária tradicional com votação aberta, funcionou como uma disputa interna com regras claras, na qual a cúpula do partido tomaria a decisão final. O critério fundamental, na visão do colunista, foi a viabilidade eleitoral medida por pesquisas de intenção de voto.
"O critério que foi adotado foi fundamentalmente as pesquisas. Quem tivesse melhor em pesquisa teria muita vantagem na escolha", explicou Schiller. "O Kassab foi a Porto Alegre, explicou para o Eduardo Leite. É uma decisão que se viabiliza dentro do terreno da polarização".
A reação de Eduardo Leite
Um ponto central da análise foi a reação inicial de Eduardo Leite, que, na avaliação do cientista político, repetiu o comportamento adotado quando perdeu as prévias do PSDB para João Doria em 2021. Schüler criticou a postura, mas apostou em uma retratação futura em nome da unidade partidária.
"Em política, em democracia, é tão importante você saber ganhar como você saber perder. A gente perdeu isso no Brasil", afirmou. "Se você entrou num jogo sabendo da regra, é uma lição de democracia você respeitar. Mas eu tenho muita convicção que o Eduardo fará uma entrevista declarando o apoio ao Caiado".
O fim da terceira via
Para Fernando Schüler, a escolha por Caiado é o reconhecimento, por parte de um dos articuladores mais experientes do país, Gilberto Kassab, de que o eleitorado centrista, que não aprova nem o presidente Lula nem a oposição de direita, é pequeno demais para sustentar uma candidatura majoritária.
"Não tem terceira via no Brasil. A avaliação do próprio Kassab, do PSD, do mundo político, é que não tem terceira via", cravou o colunista.
Ele comparou o espaço a ser ocupado por este campo ao desempenho de Simone Tebet na última eleição, que atingiu cerca de 3% a 4% dos votos. Com Caiado, ele considera que o PSD lança um candidato do campo da direita para disputar o mesmo eleitorado da oposição, argumentando ser uma alternativa mais qualificada e com maior capacidade de diálogo com o centro em um eventual segundo turno.
Cenário favorece a oposição
Schüler concluiu sua análise afirmando que a decisão do PSD, no fim das contas, favorece o principal candidato de oposição ao governo Lula. A justificativa é que Ronaldo Caiado será um crítico contundente do governo ao longo da campanha.
"Num segundo turno, eventualmente, não há dúvida que o Caiado vai apoiar o [candidato da] direita", projetou. "O Eduardo Leite seria muito diferente, ele estaria numa posição equidistante dos dois e, no segundo turno, provavelmente não apoiaria ninguém. Acho que no comitê [da oposição], essa escolha foi bem recebida. Já no Palácio do Planalto, eu diria que nem tanto."
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