O dentista Rogério Domingues acredita que foi uma das vítimas do golpe praticado por atravessadores funerários, ou "papa defuntos", como são chamados. A mãe dele faleceu em casa e, minutos depois dele registrar a morte na delegacia, começaram as ligações. Rogério tentou argumentar que a mãe tinha baixa renda, mas o suposto agente funerário insistiu que dificilmente seria possível fazer o enterro a um custo mais acessível. “Acabamos fazendo uma vaquinha e pagando 5 mil reais”, contou.Só depois do enterro, quando viu as notas, Rogério percebeu que os serviços adquiridos eram, sim, de uma das quatro empresas concessionárias autorizadas pela prefeitura, mas que na verdade custavam bem menos do que ele havia pago.
Desde o início de 2023, o serviço funerário só pode ser realizado na cidade de São Paulo por quatro empresas: Consolare, Cortel, Velar SP e Grupo Maya. A associação que representa essas concessionárias acredita que muitos dos sepultamentos na capital tem sido intermediados por golpistas, como explica o presidente da entidade, Thiago Grego. “São pessoas que buscam captar clientes dentro dos hospitais, do sistema funerário. Eles compram a tarifa social e cobram das famílias mais de 5 mil reais”, relata.A tarifa social custa a partir de R$ 600 na capital paulista. Os preços cobrados pelas empresas concessionárias são tabelados e estão disponíveis no site da prefeitura, inclusive com a opção do serviço gratuito para alguns grupos, como inscritos no CadÚnico e doadores de órgãos.Para reduzir o problema, a Associação das Concessionárias do Serviço Funerário de São Paulo fez uma proposta à gestão municipal para a criação de uma central única de serviço funerário na cidade.A SP Regula, no entanto, informou à BandNews FM que a ideia foi negada para garantir igualdade, liberdade de escolha para a população e a concorrência entre as empresas. A agência reguladora diz que conta com 25 fiscais e implementou um sistema de informação de óbitos, que avisa os familiares, logo após o falecimento, os preços praticados pelas concessionárias e as regras para gratuidade.
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