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Selic deve cair para 14,25%, mas cortes podem ser paralisados até 2027

Juliana Rosa detalha como o fenômeno El Niño e os gastos governamentais podem pressionar a inflação até o fim do ano

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 10:07 • Atualizado em 17/06/2026 • 10:07

Resumo

Decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a taxa Selic ocorre em meio à expectativa do mercado por redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,5% para 14,25% ao ano, após cortes modestos em março e abril de 2026.

Pressão de fatores inflacionários domésticos e internacionais, como conflitos no Oriente Médio, custos elevados de produção agrícola e efeitos do fenômeno El Niño, dificultam cortes mais rápidos nos juros, encarecendo alimentos e energia elétrica.

Projeção do mercado indica possibilidade de interrupção temporária no ciclo de cortes da Selic após a reunião de hoje, com perspectiva de novo ajuste apenas após as eleições, mantendo a taxa de juros elevada e encarecendo o crédito até o fim de 2026.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (17) o novo patamar da taxa básica de juros (Selic), em meio à expectativa do mercado financeiro por uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa de 14,5% para 14,25% ao ano. A análise é da colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.

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A desaceleração gradual ocorre sob forte pressão de fatores inflacionários domésticos e internacionais, que elevam o risco de uma interrupção no ciclo de cortes ainda neste ano.

O ciclo de afrouxamento monetário começou de forma modesta após o encerramento do longo período em que a Selic permaneceu em 15% ao ano. Em março de 2026, o colegiado promoveu um corte inicial de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa para 14,75% ao ano.

Já no encontro de abril de 2026, o Copom repetiu a dose com outra redução de 0,25 ponto, fixando os juros básicos em 14,5% ao ano, patamar vigente até a decisão de hoje.

O impacto do cenário externo e do clima nos preços

Juliana explica que o corte era para ser mais acelerado, mas foi contido pela escalada recente de conflitos no Oriente Médio.

Mesmo com a redução no preço internacional do barril de petróleo, o repasse dos custos de produção, como a compra de fertilizantes mais caros para a agricultura, ainda pressiona os índices de preços ao consumidor.

Além disso, fatores internos de forte impacto, como os estímulos econômicos promovidos pelo governo federal e a intensidade do fenômeno climático El Niño, atuam como barreiras para a queda rápida dos juros. Segundo a colunista, as previsões meteorológicas indicam que este pode ser um dos piores fenômenos da história do Brasil, gerando forte encarecimento nos segmentos de alimentos e de energia elétrica.

Projeções para o encerramento de 2026 e o rumo dos juros

Diante das incertezas no horizonte de médio prazo, cresce a probabilidade de que o Banco Central decida interromper temporariamente a redução da Selic após a reunião de hoje. A estratégia de pausa serviria para que o Copom avalie as expectativas inflacionárias antes de retomar novos cortes.

Segundo informações da jornalista, um novo ajuste de 0,25 ponto percentual poderá ocorrer somente no período pós-eleitoral. Com isso, a taxa de juros deve encerrar o ano de 2026 no patamar de 14% ao ano, mantendo o custo do crédito elevado para o mercado financeiro e a população.