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Servidora é segunda a denunciar importunação sexual de ministro do STJ

Recepcionista subordinada a Marco Buzzi detalha investidas em gabinete e corredores do tribunal; ministro é afastado por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça

Por Redação
REDAÇÃO

11/02/2026 • 01:16 • Atualizado em 11/02/2026 • 01:16

Ministro Marco Buzzi

Ministro Marco Buzzi

STJ

Resumo

Uma denúncia de importunação sexual feita por uma recepcionista contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou três episódios ocorridos no gabinete, na biblioteca e em corredores do tribunal, levando a vítima a sofrer graves consequências de saúde e a deixar o cargo após não encontrar apoio institucional.

Uma decisão unânime do STJ afastou temporariamente o ministro das funções após a segunda denúncia, instaurando uma comissão de sindicância para apurar os fatos, enquanto o caso também é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado de Buzzi.

Uma primeira acusação partiu de uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, que o acusou de agressão durante um banho de mar, e Marco Buzzi nega veementemente todas as denúncias, alegando inocência, criticando vazamentos e solicitando licença médica de 90 dias por problemas cardíacos.

Uma recepcionista, segunda vítima a denunciar o ministro Marco Buzzi do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relatou ter sofrido ao menos três episódios de importunação sexual enquanto trabalhava no gabinete do magistrado. A denúncia, que já havia sido levada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi crucial para a decisão unânime do pleno do STJ de afastar o ministro de suas funções na última terça-feira (10). A mulher, que era hierarquicamente subordinada a Buzzi, detalhou as investidas em depoimento que chocou os membros da sindicância interna.

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Os detalhes da denúncia

De acordo com informações exclusivas obtidas pela âncora Adriana Araújo, um dos episódios ocorreu quando a vítima foi chamada ao gabinete. O ministro pediu que ela entrasse em uma sala anexa, sem janelas, onde ficam suas vestes. No local, segundo a funcionária, o magistrado tentou tocar suas partes íntimas. As importunações, no entanto, não pararam por aí e se repetiram em outras duas ocasiões: uma em uma biblioteca, quando ele teria se aproveitado do momento em que ela subia em uma escada para pegar um livro, e outra em um dos corredores do próprio STJ.

A servidora relatou que buscou ajuda de superiores, mas, sem uma solução efetiva, acabou sendo transferida de horário para evitar encontros com o ministro. A pressão e o estresse contínuo a levaram a deixar o cargo. Em depoimento ao CNJ, a mulher revelou que a situação de ansiedade e depressão foi tão profunda que resultou em graves problemas de saúde, incluindo um derrame.

Investigação e afastamento

A repercussão da segunda denúncia, somada à primeira acusação de importunação sexual, levou o STJ a tomar uma atitude drástica. Em sessão extraordinária e a portas fechadas, o plenário do tribunal decidiu pelo afastamento cautelar de Marco Buzzi. A medida, segundo nota da Corte, é "temporária e excepcional", impedindo o ministro de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e outras prerrogativas do cargo.

Uma comissão de sindicância, composta pelos ministros Francisco Falcão, Raul Araújo e Antonio Carlos Ferreira, foi instaurada para apurar os fatos. O resultado da apuração será levado ao plenário do STJ no dia 10 de março, quando os ministros decidirão os próximos passos, que podem incluir a aposentadoria compulsória do magistrado. Além do processo interno, o caso também é investigado pelo CNJ e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para onde a investigação criminal foi encaminhada devido ao foro privilegiado.

A primeira acusação e a defesa do ministro

O caso que deu início às investigações envolve uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro. Ela relatou ter sido agarrada à força por Buzzi durante um banho de mar em Santa Catarina, em janeiro deste ano. O episódio foi registrado em boletim de ocorrência e também é alvo de apuração nas esferas administrativa e criminal.

Em nota e em mensagens enviadas a colegas, o ministro Marco Buzzi nega veementemente as acusações. Ele se diz "surpreendido" com as denúncias, afirmando que elas não correspondem aos fatos e que irá provar sua inocência. A defesa do ministro critica o que chama de "vazamentos" e a tentativa de "julgar e condenar" o magistrado antes do início formal de uma investigação, classificando a situação como um "inaceitável retrocesso civilizacional". O ministro também apresentou um atestado médico e solicitou uma licença de 90 dias, alegando problemas cardíacos.

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