Tarifaço dos EUA: empresários brasileiros pedem pragmatismo nas negociações
Líderes da CNI e da Amcham defendem negociações técnicas e flexibilização em terras raras e etanol em janela crucial de 15 dias

Em meio ao alerta provocado pelo anúncio de novas tarifas norte-americanas, empresários brasileiros cobram do governo federal pragmatismo nas negociações com os Estados Unidos nos próximos 15 dias.
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Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) alegam que o governo brasileiro deve abrir canais de diálogo técnico em Washington para reverter a proposta de alíquotas de 25% sobre as exportações do Brasil antes da medida começar a vigorar, no dia 15 de julho de 2026.
A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, ouviu empresários que estão organizando reuniões na capital norte-americana, mas avaliam que a gestão federal é o ator principal neste momento.
Segundo Juliana, eles defendem que há margem para negociações se o Brasil apresentar propostas de interesse dos Estados Unidos, evitando discursos inflamados ou de cunho político.
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Oportunidades de cooperação e o mercado de tecnologia
A colunista aponta que o país não deve se omitir das negociações, mas sim oferecer parcerias estratégicas em setores de forte interesse dos EUA, como investimentos em terras raras e data centers.
Ela também aponta que o mercado de etanol, no qual os norte-americanos buscam ampliar as vendas ao Brasil, e a regulamentação de grandes empresas de tecnologia (big techs) são temas que exigem jogo de cintura e flexibilidade.
Representantes da Amcham Brasil ouvidos por Juliana alertaram também sobre uma tarifa adicional de 12,5% de uma investigação da Casa Branca, que ainda está em curso, sobre uma possível prática de trabalho escravo. Cerca de 60 países, incluindo o Brasil, estão sendo investigados.
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Segundo a Amcham, esse imposto sobre trabalho forçado dificilmente será evitado. Caso a sobretaxa de 25% não seja revertida, a soma das duas taxas elevará o impacto fiscal sobre as exportações brasileiras para 37,5%, o que representa o dobro do teto das barreiras comerciais enfrentadas hoje por outras nações concorrentes do Brasil no mercado norte-americano.
A nova proposta de 25% critica regras de comércio digital no país, o Pix, o desmatamento e o mercado de etanol. A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação da Seção 301, iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Em relatório divulgado no ano passado, o governo americano chegou a propor tarifas de até 50%, medida posteriormente anulada pela Suprema Corte dos EUA no início de 2026.
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O cronograma e as próximas etapas das tratativas
O calendário do governo dos EUA prevê que o prazo para envio de comentários por escrito sobre as tarifas termina no dia 1º de julho, com audiência pública marcada para 6 de julho. Diante disso, entidades do setor produtivo cobram que a gestão federal apresente argumentos técnicos consistentes para excluir mercadorias estratégicas da taxação antes de 15 de julho.
