
Tarifas globais de 15% começam a valer
Reprodução/Band
Resumo
Anúncio de novas tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras provoca cobrança de pragmatismo dos empresários ao governo federal, que tem 15 dias para negociar e tentar reverter a medida antes de sua vigência em 15 de julho de 2026.
Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Amcham Brasil defendem diálogo técnico em Washington, sugerem apresentar propostas de interesse dos EUA, como cooperação em terras raras, data centers e etanol, e alertam sobre possível tarifa adicional de 12,5% ligada à investigação sobre trabalho escravo, elevando o impacto total para 37,5% sobre exportações brasileiras.
Calendário do governo dos EUA define prazo para envio de comentários até 1º de julho, audiência pública em 6 de julho e cobrança do setor produtivo para que o governo brasileiro apresente argumentos técnicos visando excluir mercadorias estratégicas da taxação antes do início das tarifas em 15 de julho.
Em meio ao alerta provocado pelo anúncio de novas tarifas norte-americanas, empresários brasileiros cobram do governo federal pragmatismo nas negociações com os Estados Unidos nos próximos 15 dias.
Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) alegam que o governo brasileiro deve abrir canais de diálogo técnico em Washington para reverter a proposta de alíquotas de 25% sobre as exportações do Brasil antes da medida começar a vigorar, no dia 15 de julho de 2026.
A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, ouviu empresários que estão organizando reuniões na capital norte-americana, mas avaliam que a gestão federal é o ator principal neste momento.
Segundo Juliana, eles defendem que há margem para negociações se o Brasil apresentar propostas de interesse dos Estados Unidos, evitando discursos inflamados ou de cunho político.
Oportunidades de cooperação e o mercado de tecnologia
A colunista aponta que o país não deve se omitir das negociações, mas sim oferecer parcerias estratégicas em setores de forte interesse dos EUA, como investimentos em terras raras e data centers.
Ela também aponta que o mercado de etanol, no qual os norte-americanos buscam ampliar as vendas ao Brasil, e a regulamentação de grandes empresas de tecnologia (big techs) são temas que exigem jogo de cintura e flexibilidade.
Representantes da Amcham Brasil ouvidos por Juliana alertaram também sobre uma tarifa adicional de 12,5% de uma investigação da Casa Branca, que ainda está em curso, sobre uma possível prática de trabalho escravo. Cerca de 60 países, incluindo o Brasil, estão sendo investigados.
Segundo a Amcham, esse imposto sobre trabalho forçado dificilmente será evitado. Caso a sobretaxa de 25% não seja revertida, a soma das duas taxas elevará o impacto fiscal sobre as exportações brasileiras para 37,5%, o que representa o dobro do teto das barreiras comerciais enfrentadas hoje por outras nações concorrentes do Brasil no mercado norte-americano.
A nova proposta de 25% critica regras de comércio digital no país, o Pix, o desmatamento e o mercado de etanol. A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação da Seção 301, iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
Em relatório divulgado no ano passado, o governo americano chegou a propor tarifas de até 50%, medida posteriormente anulada pela Suprema Corte dos EUA no início de 2026.
O cronograma e as próximas etapas das tratativas
O calendário do governo dos EUA prevê que o prazo para envio de comentários por escrito sobre as tarifas termina no dia 1º de julho, com audiência pública marcada para 6 de julho. Diante disso, entidades do setor produtivo cobram que a gestão federal apresente argumentos técnicos consistentes para excluir mercadorias estratégicas da taxação antes de 15 de julho.
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