
A escritora Ana Maria Gonçalves
Leo Pinheiro
A escritora Ana Maria Gonçalves é eleita para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras. A autora do romance "Um defeito de cor", um dos mais prestigiados do século XXI, é a primeira imortal negra da instituição, fundada em 1897. Ela sucede o gramático e filólogo Evanildo Bechara, que morreu em maio.
Ana Maria foi escolhida nesta quinta-feira, em votação na sede da ABL, no Centro do Rio. Ela recebeu 30 dos 31 votos possíveis. A escritora concorria com outras 12 pessoas, entre elas, a professora Eliane Potiguara, Doutora Honoris Causa pela UFRJ, considerada a primeira escritora indígena brasileira.
Nascida em Ibiá, no Alto Parnaíba, em Minas Gerais, Ana Maria Gonçalves é publicitária de formação, mas passou a se dedicar à literatura após morar na Ilha de Itaparica, na Bahia, por cinco anos. O primeiro livro da autora é "Ao lado e à margem do que sentes por mim", publicado em 2002.
Quatro anos depois, ela lançou "Um defeito de cor". O romance conta a trajetória de Kehinde, nascida no Benin - atual Daomé - desde a escravização até o retorno à África, como mulher livre, mas sem o filho, que foi vendido pelo pai para quitar uma dívida de jogo. A obra está na 44ª edição, com cerca de 180 mil exemplares vendidos. Em 2007, ganhou o Prêmio Casa de las Américas, um dos mais antigos da América Latina.
Ana Maria Gonçalves também morou nos Estados Unidos, onde ministrou cursos e palestras sobre questões étnico-raciais. Atualmente, a escritora vive em São Paulo, onde escreve para televisão, teatro e cinema.
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