
A administração do Hospital de Bonsucesso foi assumida há oito meses pelo Grupo Hospitalar Conceição
Reprodução
Pelo menos 200 materiais de biópsias realizadas no Hospital de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, estão acumulados em potes de plástico reutilizados, enquanto os pacientes aguardam pelos resultados. A situação, que acontece há anos, segundo funcionários, piorou em janeiro, com a falta de médicos para analisar os materiais.
A situação foi denunciada e constatada em uma vistoria realizada na quarta-feira (18) feita pela Defensoria Pública da União, com o Conselho Regional de Medicina do Rio.
São lâminas de exames preventivos e biópsias, muitas de pacientes com suspeita de câncer, que estão acondicionadas de forma irregular: em potes de doces e azeitona reutilizados, vedados apenas por esparadrapos, empilhados em bacias e até no chão.
Segundo o presidente do corpo clínico do Hospital, Júlio Noronha, são cerca de 30 materiais recebidos por dia, mas apenas três patologistas no setor, o que faz com que os profissionais não consigam dar conta da demanda. Assim, muitos pacientes aguardam há meses pela análise das biópsias.
Imagina você pegar pedaços de corpo humano, que são a biópsia, representa o diagnóstico, o tratamento adequado do sujeito, naquela confusão. Como é que você vai achar mais alguma coisa? Quantos que não vão se perder ali? É um crime contra a saúde, que tem que ser resolvido imediatamente. Nós estamos matando essa pessoa.
Um relatório está sendo produzido pelo Cremerj e vai ser enviado à direção do hospital, para que o problema seja resolvido.
Ao mesmo tempo, a Defensoria aguarda o resultado de uma ação civil pública do ano passado, para que os hospitais federais no Rio de Janeiro resolvam o problema de falta de médicos.
O Grupo Hospitalar Conceição, responsável pelo Hospital de Bonsucesso, afirma que está na fase final de contratação por licitação de uma empresa terceirizada responsável por realizar os serviços de análise das biópsias, para diminuir o tempo de espera dos pacientes. A companhia deve começar a atuar na próxima quarta-feira (25).
Mas para a defensora regional de Direitos Humanos da DPU-RJ, Taísa Bittencourt, a medida é paliativa.
Vai resolver esse acúmulo, mas resolve de uma forma pontual. Ao nosso ver, somente a realização de um concurso público, com uma carreira digna para os médicos, com salários aceitáveis e com estabilidade, os médicos vão efetivamente se interessar para voltar ao serviço público de uma forma digna.
A administração do Hospital de Bonsucesso foi assumida há oito meses pelo Grupo Hospitalar Conceição, vinculado ao Ministério da Saúde.
Em nota, a direção da unidade disse que jamais orientou as equipes a guardarem os materiais em potes reutilizados e que disponibiliza recipientes específicos às equipes, mas que vai reforçar o treinamento e que o reuso dos objetos não afeta o resultado.
O Grupo Conceição ainda afirmou que a prática acontece desde 2016, mas que a atual direção não orienta tais práticas e vai adotar todas as providências para que ela seja banida.
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