
A expectativa é que as temperaturas permaneçam extremamente elevadas pelos próximos 5 anos
Ericka Levigard
A falta de infraestrutura tecnológica, social e política é um dos principais desafios para que os países emergentes se tornem competitivos na corrida do desenvolvimento da Inteligência Artificial no mundo. Este foi um dos principais temas abordados por pesquisadores de China, Brasil, Argentina e África do Sul no debate preparatório para a Cúpula do Brics desta quinta-feira (3).
O painel foi sediado na PUC-Rio, na Gávea, Zona Sul do Rio, onde representantes do Beijing Club, do Brics Policy Center e de universidades chinesas, argentinas e sul-africanas discutiram sobre o panorama tecnológico e ecológico dos países em desenvolvimento.
No primeiro debate, foi abordado como os países desenvolvidos, como os Estados Unidos e membros da União Europeia, comandam a corrida tecnológica. Para os palestrantes, a Inteligência Artificial é baseada na desigualdade e os países que compõem o BRICS precisam se unir para investir em uma infraestrutura digital.
Em 2024, o Governo Federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028, para transformar o país em referência mundial em inovação e eficiência no uso da inteligência artificial, especialmente no setor público. O investimento previsto é de R$ 23 bilhões em quatro anos.
A professora adjunta do Instituto de Relações Internacionais da PUC Rio, Luiza Lobato, reforça que, apesar disso, a quantidade de recursos ainda é bastante tímida.
Você tem a China como grande financiadora dentro do bloco, mas outros países ainda não estão investindo tanto nessas tecnologias, o Brasil está tomando esse espaço, o Brasil tem um plano de IA que foi lançado no ano passado, mas você ainda precisa. Comparado com, por exemplo, os Estados Unidos, a quantidade de recursos que é dedicada para o desenvolvimento dessas infraestruturas ainda é bastante tímida. Então, para lidar com isso, você precisa, como a gente viu nas discussões, você precisa dar uma ênfase maior na cooperação entre os países, para que você tenha fontes de financiamento comuns, se discutiu a questão do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, que ele possa servir também para ajudar os países em desenvolvimento a investirem nessas infraestruturas.
Em um segundo momento, foi discutida a importância dos países do BRICS na transição energética. De acordo com a ONU, 2024 foi o ano mais quente já registrado, com cerca de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. A expectativa é que as temperaturas permaneçam extremamente elevadas pelos próximos 5 anos.
Para a cientista política e ecologista Maureen Santos, há lacunas que precisam ser preenchidas em relação às políticas da Justiça Climática.
Por um lado, alguns países querem ver qualquer medida de positiva para a questão ecológica, ou para o meio ambiente, ou para a questão de direitos, como algo que pode virar mais um mecanismo de protecinismo comércio. Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que perceber que se a gente não consegue canalizar esforços de enfrentamento da pobreza, das desigualdades, que são os grandes problemas que todos os países compartilham no Sul Global, inclusive a China, a gente vai ter muita dificuldade de discutir outros tipos de modelo possível. E a transição energética, ela faz parte dessa questão, porque a transição energética, claro que a China tem liderado do ponto de vista de tecnologia, de financiamento, mas, ao mesmo tempo, você não tem assim um equilíbrio entre o que é colocado só em relação à redução de emissões e o que é colocado também numa visão de que essa redução de emissões, ela também tem que ser acompanhado na redução de conflitos.
A Cúpula do BRICS acontece nos dias 6 e 7 de julho no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio. Chefes de Estado dos 11 países membros do bloco vão se reunir para fortalecer a ordem internacional.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

