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BRICS encerra cúpula no Rio com críticas ao protecionismo e apelo por reforma da ONU

Declaração final defende uso de moedas locais, paz em Gaza e mudanças no Conselho de Segurança

João Boueri
JOÃO BOUERI

07/07/2025 • 07:15 • Atualizado em 07/07/2025 • 07:15

Abertura de sessão durante a Cúpula de Líderes do BRICS no Museu de Arte Moderna (MAM)

Abertura de sessão durante a Cúpula de Líderes do BRICS no Museu de Arte Moderna (MAM)

Antonio Scorza/BRICS Brasil

Após a apresentação da Declaração Final, a Cúpula de Líderes do BRICS chega ao último dia nesta segunda-feira (6). Os encontros acontecem no Museu de Arte Moderna, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

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No início da manhã, por volta das 8h45, os chefes de Estado dos países-membros vão se reunir novamente para a fotografia oficial. No domingo, o registro ficou incompleto sem a presença do príncipe e ministro das Relações Exteriores de Riad, Faisal bin Farhan Al Saud. Com isso, a Arábia Saudita ficou sem representante.

Em seguida, às 9h, o presidente Lula vai abrir a Sessão plenária sobre "meio ambiente, COP30 e Saúde Global". A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas será realizada em Belém, no Pará, Brasil, em novembro de 2025, com representantes de quase 200 países.

Após o encerramento, o presidente Lula deve falar com a imprensa às 13h.

Na Cúpula de Líderes do BRICS, sobre a liderança brasileira, algumas lideranças não participam, como o presidente russo, Vladimir Putin, que participa por videoconferência, o líder chinês Xi Jinping, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o do Irã, Masoud Pezeshkian.

O documento da Declaração Final da Cúpula de Líderes do Brics critica tarifas e ações restritivas ao comércio no mundo. O texto com 38 páginas destaca que o sistema multilateral de comércio está há muito tempo em uma encruzilhada, o que "traz incertezas nas atividades econômicas e comerciais internacionais". O texto ainda diz que as medidas protecionistas podem evidenciar disparidades econômicas e, assim, afetar o desenvolvimento econômico global.

No campo da geopolítica, a declaração condenou os ataques ao Irã feitos por Israel e Estados Unidos - sem fazer menção aos dois países. A ação foi classificada como "violação do direito internacional". Sobre a guerra na Faixa de Gaza, o documento defende um cessar-fogo imediato e a libertação de todos os reféns, além da solução de dois Estados, um israelense, e outro, palestino.

A declaração ainda pede uma reforma "abrangente" da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente do Conselho de Segurança, uma das principais bandeiras da presidência brasileira do Brics. De acordo com a declaração, o objetivo da remodelação é responder aos desafios globais de forma mais eficiente e que países emergentes e em desenvolvimento tenham papel mais relevante nos assuntos internacionais.

Outro destaque é a defesa do diálogo sobre o uso de moedas locais no comércio e investimentos, em uma tentativa de diminuir a dependência do dólar.

Além da Declaração de Líderes, o Brics aprovou outros três documentos: a Declaração-Marco dos Líderes sobre Finanças Climáticas; a Declaração dos Líderes sobre Governança Global da Inteligência Artificial e a Parceria do BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas.

No domingo, os chefes de Estado participaram das sessões plenárias sobre "Paz e Segurança e Reforma da Governança Global" e o "Fortalecimento do Multilateralismo, Assuntos Econômico-Financeiros e Inteligência Artificial".

Hoje, o BRICS é formado por 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Irã e Arábia Saudita, apesar desse último não ter aderido formalmente ao grupo.

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