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Cambistas agem com apoio interno e reduzem ingressos ao público, aponta delegado

Quando a venda de ingressos para jogos de futebol, shows e outros espetáculos é aberta, parte das entradas já foi designada aos criminosos

Gabriela Morgado
GABRIELA MORGADO

19/05/2025 • 09:34 • Atualizado em 19/05/2025 • 09:34

Segundo o delegado, também há muitos casos de golpes com ingressos falsos

Segundo o delegado, também há muitos casos de golpes com ingressos falsos

Divulgação/Decon

A maior parte dos cambistas que revendem ingressos de eventos atua em conjunto com pessoas de dentro das organizações oficiais. A percepção é do delegado responsável pela Delegacia do Consumidor do Rio de Janeiro.

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Segundo Wellington Vieira, quando a venda de ingressos para jogos de futebol, shows e outros espetáculos é aberta, parte das entradas já foi designada a cambistas. Assim, o total de ingressos disponíveis para o público é menor.

Ainda segundo o delegado, para que esses grupos sejam rastreados, é importante que o público denuncie a atuação dos criminosos.

Você sozinho não consegue chegar lá na bilheteria e pedir para comprar cem ingressos. Tem que ter acesso antes das vendas iniciais. Na verdade, a parte do cambista não é tanta coisa assim também, mas o lucro é exorbitante. A gente sempre incentiva o denuncismo, porque muitas das vezes as pessoas compram ingressos falsos e aí são vítimas de estelionato.

Em muitos casos, os preços de revenda dos ingressos podem chegar a mais do que o dobro dos originais.

Segundo o delegado, também há muitos casos de golpes com ingressos falsos. A pena por estelionato pode chegar a até cinco anos de prisão. Wellington Vieira ressalta que o público deve comprar em canais oficiais e não por cambistas, o que é um incentivo ao crime.

A primeira coisa é comprar ingresso nos canais oficiais e nunca comprar na mão de cambista físico que fica nas proximidades da bilheteria, porque quem faz isso está incentivando o mercado paralelo e incentivando a criminalidade.

A produtora audiovisual Caroline Castro relata a dificuldade que costuma ter em conseguir entradas para apresentações de artistas.

Isso aconteceu comigo agora pela última vez no show do Bad Bunny, que abriu nas últimas semanas venda para dois dias de show. Foram abertos alguns dias de venda com exclusividade para clientes de um banco específico e depois para venda geral. Foram seis dias diferentes em que eu tentei e não tive sucesso em conseguir o ingresso. Acho que o último dia eu fiquei quase uma hora na fila, eu não conseguia comprar, porque o ingresso que eu queria já estava esgotado. Fico me perguntando como pode então, depois de toda essa dinâmica difícil de compra, esse esgotamento rápido dos ingressos, chegar no dia do show e ter tantos cambistas vendendo. E claramente são cambistas, porque eles têm mais de um tipo de ingresso para mais de um tipo de setor.

A dificuldade é tão grande que, após os ingressos se esgotarem, são criados grupos nas redes sociais, para anúncios de compra e venda das entradas de forma não oficial, em sua maior parte, com preços acima dos originais. A situação já pode ser identificada para o show do cantor de Porto Rico Bad Bunny, citado pela produtora Caroline Castro.

Um dos métodos que têm sido usados em estádios contra o cambismo é vincular as entradas ao reconhecimento facial. O professor de Direito Digital do Ibmec-RJ Rafael Viola diz que a medida poderia ser usada em shows, mas que há uma discussão jurídica.

Com antecedência, até que é possível. Mas há toda uma discussão. Primeiramente, teria que ter o consentimento. Muitos juristas defendem que não é uma boa ferramenta, porque ela gera distorções, não é uma tecnologia isenta de falhas. Mas eu diria que a tendência é futuramente ter um aumento do uso do reconhecimento facial.

A venda de ingressos de forma fraudulenta, por preços acima do normal, é crime e está prevista na Lei do Esporte. Para outros tipos de evento, a investigação pode se basear na Lei de crimes contra a economia popular. Mas um projeto ainda em tramitação no Senado pretende especificar a prática dentro do texto. A medida ficou conhecida como Lei Taylor Swift, após confusão na venda de ingressos para os shows da cantora no Brasil, em 2023.

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