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Conheça as histórias das três seleções estreantes da Copa do Mundo da Fifa de 2026

Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão conquistaram a vaga inédita para a competição do ano que vem

GABRIEL MACHADO (SOB SUPERVISÃO)

19/10/2025 • 11:39 • Atualizado em 19/10/2025 • 11:39

Cabo Verde comemora classificação para a Copa do Mundo

Cabo Verde comemora classificação para a Copa do Mundo

Divulgação / FIFA

A Copa do Mundo da Fifa de 2026 é a primeira a contar com 48 seleções. Antes, apenas 32 países participavam da maior competição do futebol. A nova regra do torneio já possibilitou a classificação de três estreantes: Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão.

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Cabo Verde é o menor país a já se classificar para a competição. Já imaginou Campos dos Goytacazes formar uma seleção e conseguir jogar a Copa do Mundo? Apesar de parecer impossível, em termos de extensão territorial a comparação com Cabo Verde é válida. O país africano de língua portuguesa tem 4,033 km² de extensão, enquanto o município fluminense tem 4.032km².

O escritor cabo verdiano José Mário Correia explica que o futebol chegou ao país no século XIX e desde então o povo nunca mais abandonou a modalidade. Segundo ele, o futebol tem um poder social de levar orgulho e esperança para a população.

Esse povo sofrido que muitas vezes não tem um salário mensal fixo, não tem o que comer, nem sempre tem energia elétrica, nem sempre tem água para beber, a caba por ter no futebol uma válvula de escape, que lhe permite encher-se de orgulho. Nós divergimos em quase tudo, mas quando se trata do jogo da bola, sobretudo quando nos batemos diante de outras seleções nacionais, diante de outros clubes, as coisas mudam-se radicalmente de figura e a bandeira se torna única, se torna a mesma.

Os Tubarões Azuis, apelido da seleção africana, conseguiram a vaga na Copa do Mundo após bater Essuatíni por 3 a 0, em Cabo Verde. O país avançou no grupo da experiente seleção de Camarões, que já disputou oito torneios mundiais e teve craques como Samuel Eto'o. O feito parou o país e gerou uma comoção nacional, como explica José Mario.

Foi uma festa à escala mundial, entre cabo-verdianos residentes e cabo-verdianos a residir no exterior. Foi uma grande festa que exaltou todo o orgulho nacional de um povo que com muito pouco sempre faz milagres. Uma seleção que há 50 anos atrás praticamente não sabia jogar futebol, que era derrotada por qualquer seleção nacional, mas que hoje é capaz de vencer seleções como Argélia, Senegal, Nigéria, Camarões, Egito.

As estreantes da Copa do Mundo trazem histórias que não são vistas nas grandes seleções. O treinador do Uzbequistão é o ex-zagueiro italiano, eleito o melhor jogador do mundo em 2006, Fábio Cannavaro. Já no time de Cabo Verde, o defensor Roberto Lopes foi convocado após o técnico Rui Águas encontrá-lo no LinkedIn, rede para vagas de emprego.

Águas enviou uma mensagem em português questionando se o zagueiro irlandês, de origem cabo-verdiana, gostaria de defender as cores do país, mas foi ignorado. Nove meses depois, o técnico insistiu no contato, mas dessa vez mandou uma mensagem em inglês e foi respondido por Lopes, que agora faz parte do time histórico para Cabo Verde.

O comentarista da Rádio BandNews FM Antônio Carlos Duarte entende que as estreantes não devem ter força para brigar com as seleções tradicionais. Apesar disso, Duarte acredita que a simples participação na Copa do Mundo já pode ser um ponto de virada para o futebol nesses países.

São seleções que muito provavelmente na Copa do Mundo vão fazer mais participação do que propriamente dar trabalho àquelas consideradas as mais fortes. Mas só delas estarem participando de uma Copa do Mundo, isso aí já vai engrandecer e muito o futebol praticado nesses países

O escritor José Mario Correia também acredita que a classificação para a Copa do Mundo de 2026 pode servir como marco para um país tão apaixonado pelo futebol. Segundo ele, a seleção nacional tornou-se um símbolo de unidade.

O futebol é o único desporto onde o suposto pequeno pode perfeitamente ganhar o suposto grande. Agora, aconteça o que acontecer, Cabo Verde já não é pequeno. Também haverá uma mudança de atitude, de uma situação em que nós jogávamos para empatar ou se tu quiseres para não perder, nós agora jogamos para ganhar

Se Cabo Verde se classificou após vencer por 3 a 0 em casa, a Jordânia precisou repetir o placar e ainda torcer para uma vitória da Coreia do Sul. A combinação de resultados favoreceu o país asiático e garantiu a vaga inédita na competição da FIFA.

O país, que não tem relevância no futebol, esteve nos holofotes do mundo por outro motivo. A Jordânia, junto a Arábia Saudita, interveio a favor de Israel contra o ataque do Irã. O rei Abdullah II ainda se posicionou contra o deslocamento de palestinos em Gaza.

O outros estreante, Uzbequistão, conseguiu se classificar deixando para trás os traumas das Eliminatórias de 2006 e 2014. Nas duas ocasiões, os Lobos Brancos ficaram de fora da Copa do Mundo na última rodada da etapa classificatória. O país passa por um processo de maior investimento no esporte e colhe os frutos.

Nos últimos 15 anos, o Uzbequistão chegou a duas quartas de final da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA, além de estar nas oitavas de final da última Copa do Mundo Sub-20 da FIFA. A equipe olímpica participou do Torneio de Futebol Masculino dos Jogos de Paris 2024, no ano passado.

O comentarista da Rádio BandNews FM Rio Álvaro Oliveira Filho, entende que o novo regulamento da FIFA traz benefícios para os países de menor expressão no futebol, mas também tem um lado negativo. De acordo com Álvaro, a Copa do Mundo passa a ter mais jogos desinteressantes e de baixo nível técnico.

Quando você enxerta uma quantidade tão grande de seleções inexpressivas, você faz o nível técnico da competição como um todo cair. A tendência é que no próximo Mundial a gente tenha uma quantidade muito grande de jogos inexpressivos, de jogos que não despertem tanto interesse ou de desiguais entre uma grande potência e uma equipe

Das 48 seleções que vão disputar a Copa do Mundo no ano que vem, 28 já estão garantidas no torneio. Fora as três anfitriãs, Estados Unidos, México e Canadá são oito asiáticas, seis sul-americanas, nove africanas, uma europeia e uma da Oceania classificadas.

Para a Copa de 2030, está sendo debatida a possibilidade de aumentar ainda mais o número de participantes. A tentativa é para que 64 seleções disputem em 2030