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Familiares de pacientes infectados por HIV após transplantes no Rio reclamam de falta de apoio

Secretaria de Estado de Saúde afirma que vai enviar equipe à Bahia para avaliar paciente internado em estado gravíssimo

João Boueri
JOÃO BOUERI

30/06/2025 • 11:48 • Atualizado em 30/06/2025 • 11:48

O caso foi revelado com exclusividade pela BandNews FM em outubro do ano passado

O caso foi revelado com exclusividade pela BandNews FM em outubro do ano passado

Reprodução/TV Band

A Secretaria de Estado de Saúde vai enviar representantes à Bahia para avaliar as condições de saúde de um dos pacientes que passaram a conviver com HIV depois de receber órgão transplantado pela Central Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro. O homem de Salvador chegou a ser entubado em maio e tem quadro de saúde considerado gravíssimo. As informações foram confirmadas por fontes à BandNews FM.

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Na semana passada, a secretária de Saúde, Claudia Mello, se reuniu com parentes do paciente zero, que foi a primeira pessoa a ser diagnosticada com HIV em setembro do ano passado. O transplante tinha sido realizado oito meses antes, em janeiro. Em meio de 2024 ele também precisou ser internado por complicações do quadro.

Segundo a nota enviada pela Secretaria de Saúde, a visita faz parte das tarefas da equipe multidisciplinar, criada para o acolhimento e acompanhamento dos pacientes.

Ao mesmo tempo, os familiares dos pacientes alegam que não foi oferecido suporte adequado pela Secretaria de Estado de Saúde e também pelo Ministério da Saúde.

No dia 11 de outubro do ano passado, o caso foi revelado com exclusividade pela BandNews FM. Dois testes emitidos pelo laboratório PCS LAB Saleme, contratado pelo Governo do Rio, deram falso-negativo. Seis pessoas transplantadas passaram a conviver com HIV.

No mesmo dia, além da abertura das investigações, a secretária de Saúde, Cláudia Mello, disse ao vivo à BandNews FM que os parentes e pacientes já estavam sendo visitados. A ida dos representantes da pasta à Bahia nesta semana será a primeira vez desde que o escândalo foi descoberto.

Também no dia 11 de outubro, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, disse que o Governo oferecia suporte aos parentes e pacientes.

No entanto, a versão dos pacientes é outra. O Ministério da Saúde nunca teria entrado em contato com eles.

Quatro funcionários e dois sócios do laboratório PCS Saleme cumprem medidas cautelares. O Ministério Público acusa os réus pelos crimes de associação criminosa, lesão corporal gravíssima, falsidade ideológica e falsificação de documento particular. Eles chegaram a ser presos de forma preventiva no ano passado, mas foram soltos.

O processo judicial está em segredo de justiça. As audiências de instrução e julgamento já foram realizadas, assim como o interrogatório dos réus.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde disse que adotou uma série de medidas para reforçar a segurança dos pacientes que passam por transplantes de órgãos, como a criação de uma comissão multidisciplinar para acolhimento e acompanhamento permanentes dos pacientes afetados. Segundo a pasta, o grupo formado por enfermeira, psicóloga, farmacêutica e assistente social mantém contato frequente com os pacientes e familiares, inclusive com o que vive no estado da Bahia.

A SES acrescentou que a equipe monitora e acompanha esses pacientes em seus exames, consultas e garante orientações para que tenham acesso a insumos e medicamentos, necessários ao tratamento, e que também está à disposição deles um telefone fixo exclusivo, telefone do Transporte Interhospitalar (TIH), além de veículo exclusivo com motoristas fixos para o acompanhamento em consultas e exames.

A nota continua ao dizer que foram feitas mudanças de protocolos e melhorias de fluxos junto aos centros transplantadores. Houve reforço de profissionais e no treinamento das equipes das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdotts) e das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), que atuam em hospitais públicos e privados, no âmbito do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A SES também concluiu duas sindicâncias, uma pela Secretaria de Estado de Saúde e outra pela Fundação Saúde. Ambas foram disponibilizadas às autoridades policiais e à Justiça em colaboração às investigações sobre o caso.

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se posicionou.