Grupo de ex-funcionários da Universidade Gama Filho faz protesto
Eles denunciam que ainda não receberam o valor referente às indenizações trabalhistas

Mais de onze anos desde o fechamento da Universidade Gama Filho, em Piedade, na Zona Norte do Rio, ex-funcionários da instituição denunciam que ainda não receberam o valor referente às indenizações trabalhistas.
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Nesta quinta-feira (17), um grupo realizou uma manifestação em frente ao Fórum do Centro da cidade. Os integrantes elaboraram uma carta-manifesto direcionada à Justiça e Autoridades Públicas. Entre as reivindicações estão a efetivação urgente do pagamento aos credores e a divulgação de um cronograma para isso.
Por conta do acúmulo de dívidas, a Universidade fez um empréstimo milionário em 2009, suficiente para pagar o débito na época. No entanto, a operação entrou na mira da Justiça, por causar prejuízo para os fundos de pensão dos Correios e da Petrobras. Dois sócios chegaram a ser presos.
O Grupo Galileo assumiu a gestão em 2014, mas a instituição fechou as portas no mesmo ano, após ter sido descredenciada pelo Ministério da Educação. Em 2016, a Justiça decretou a falência da Gama Filho.
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Parte dos trabalhadores deixou de receber salários e benefícios em 2011, enquanto a faculdade ainda funcionava. O ex-aluno e ex-professor da Gama Filho, Alfredo Gonçalves, dedicou mais de 30 anos da vida à instituição. Para ele, a situação dos ex-funcionários é frustrante.
Foram ao todo 35 anos na Universidade de Gama Filho. Desses 35, foram 31 anos como funcionário. Não fomos indenizados, não tivemos nossas verbas rescisórias acertadas. O processo inicial que eu tinha era de quase R$ 1 milhão. Depois foi a Brasília, quando voltou, voltou com quase 600 mil reais. E agora, em razão de ter decretado a falência, passou para 240 mil reais, do qual recebi 15 mil. A sensação é de total frustração.
Assim como Alfredo Gonçalves, o ex-professor de Educação Física da universidade, Carlos Henrique Ribeiro, se formou e deu aula na Gama Filho. Ele precisou desbloquear o fundo de garantia para se manter, sem receber as indenizações trabalhistas.
Eu fiz mestrado e doutorado lá, na área da Educação Física. Depois, em 2011, eu me tornei professor lá do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação Física. Em janeiro de 2014, a gente teve o fechamento da universidade sem os direitos da gente garantidos, sem fundo de garantia, sem férias, com salários atrasados. E a gente até hoje não recebeu nada. Eu consegui desbloquear meu fundo de garantia e só isso. Um grupo já recebeu uma primeira parcela que foi dividida pelo que já foi arrecadado, mas tem um segundo grupo, como eu, que não recebeu um tostão até hoje. A universidade tinha funcionários muito antigos e esse pessoal, infelizmente, está indo embora, está falecendo, não está vendo o dinheiro, não está vendo a justiça sendo dada a todos.
Os prédios em Piedade da Universidade Gama Filho, já chegaram a abrigar 30 mil alunos nos anos 80, período de apogeu da faculdade.
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Após anos de abandono, os edifícios foram desapropriados pela Prefeitura por cerca de 50 milhões de reais e demolidos entre outubro de 2022 e novembro de 2023. O espaço vai dar lugar ao Parque Piedade, que nos moldes do Parque de Madureira, vai contar com feiras e eventos, horta urbana e campo de futebol. Nos 18 mil metros quadrados, já foram construídos pista de skate, uma academia da terceira idade e áreas dedicadas às crianças e aos cães.
Um Memorial para os ex-alunos do Colégio Piedade e da Universidade Gama Filho também vai ser erguido no local. A previsão é que o Parque Piedade seja aberto em outubro deste ano.
Em nota, a administração judicial da Massa Falida da Universidade Gama Filho diz que já pagou cerca de R$15 milhões a mais de 1.100 ex-funcionários desde março deste ano, mas que a continuidade dos depósitos está temporariamente suspensa por conta de informações consideradas inconsistentes apresentadas pelo Banco do Brasil, responsável pelos pagamentos.
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O comunicado ainda afirma que faltam R$ 27,5 milhões a serem pagos para 2.168 credores.
