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Hospital da Lagoa deve mudar perfil para se tornar novo Instituto Fernandes Figueira

Unidade passará a focar em assistência materno-infantil e à saúde da mulher, integrando a Fiocruz

JOÃO BOUERI E AGNES TODESCO

23/05/2025 • 15:31 • Atualizado em 23/05/2025 • 15:31

Hospital da Lagoa

Hospital da Lagoa

Reprodução

O Hospital Federal da Lagoa deve mudar o perfil assistencial da unidade de saúde para se tornar o novo Instituto Fernandes Figueira e fazer parte do Complexo da Fundação Oswaldo Cruz.

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A ideia é que o Hospital da Lagoa deixe de prestar atendimento geral para prestar assistência materno-infantil e da saúde da mulher, crianças e adolescentes, que é o perfil do IFF.

A informação consta na ata da reunião realizada no mês passado entre representantes do Ministério da Saúde e da Fiocruz para tratar sobre o Acordo de Cooperação Técnica firmado em março com o objetivo de melhorar a qualidade da assistência e reduzir o tempo de espera por atendimento no SUS.

Até maio, profissionais das duas instituições vão estabelecer um diagnóstico do Hospital Federal da Lagoa e detalhar estratégias da integração. O acordo faz parte do Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro.

Uma dessas reuniões foi realizada no dia 16 de abril no próprio Hospital Federal da Lagoa. Mas, um dos pontos discutidos tem preocupado pacientes e profissionais das duas unidades de saúde.

Todos os serviços que não são oferecidos pelo Instituto Fernandes Figueira também passariam a ficar indisponíveis no Hospital Federal da Lagoa. Os pacientes deveriam ser transferidos e realocados em outras unidades de saúde. No entanto, ainda não foi determinado quais e nem como isso seria realizado.

Para o diretor do corpo clínico do Hospital da Lagoa, Felipe Gomes, os pacientes vão ter que ser transferidos.

O auxiliar administrativo Alexsandro Alves Marques é paciente do Hospital da Lagoa desde 1992. Ele trata de uma doença genética que causa o crescimento de tumores benignos. Ele conta que está preocupado com a possível mudança de atendimento.

Ainda não há garantia para os servidores federais ou contratados do Hospital Federal da Lagoa em relação à permanência como membros da unidade federal, já que "não estariam em consonância com os serviços a serem prestados no novo perfil assistencial".

Em março, quando o Acordo de Cooperação Técnica foi assinado, o Ministério da Saúde anunciou, que após o estudo diagnóstico, seria possível detalhar sobre a reabertura de leitos, contratação de trabalhadores e expansão dos serviços para a população que necessita do Hospital Federal da Lagoa.

Desde 2006, o Hospital Federal da Lagoa sofre com perda de recursos humanos. Um relatório do Ministério da Saúde do ano passado apontou que o sistema de contratação de pessoal em regime temporário produz alta rotatividade o que inviabiliza a formação de quadros técnicos qualificados para realizar as tarefas assistenciais de média e alta complexidade na área da saúde.

O documento ressalta que a força de trabalho de servidores públicos não é reposta na mesma medida que ocorrem as aposentadorias, exonerações e licenças gerando intensa sobrecarga de trabalho.

O relatório também trouxe o relato da chefia do serviço de Oncologia. O depoimento destacou que o setor colapsou e que os profissionais já recebem pacientes sem condições para receber tratamento, além de ter que fazer quimioterapia antes de operar.

Em nota, a Fiocruz disse que o estudo segue em curso e inclui a realização de diagnósticos situacionais dos dois hospitais, análise dos perfis assistenciais, perspectivas de ampliação da oferta de ações e serviços para o SUS. A Fundação afirmou ainda que o resultado apontará a viabilidade ou não da integração.

Procurado, o Ministério da Saúde ainda não se posicionou.

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