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Jaé volta a cobrar taxa de 4% em meio a crise financeira do sistema

Consórcio Bilhete Digital prevê arrecadar milhões com tarifa sobre recarga de vale-transporte; MP já investigou cobrança anteriormente

João Boueri
JOÃO BOUERI

23/06/2026 • 11:47 • Atualizado em 23/06/2026 • 11:47

Sistema de bilhetagem Jaé volta a cobrar taxa suspensa pelo MP

Sistema de bilhetagem Jaé volta a cobrar taxa suspensa pelo MP

Conrado Portella/Prefeitura do Rio

O Jaé, sistema de bilhetagem do município do Rio, voltou a cobrar das empresas uma taxa de 4% por recarga unitária de funcionários. O valor é referente a “serviços adicionais de conveniência, organização e gestão dos vales-transporte”.

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O serviço “premium”, no entanto, ainda não foi lançado pelo Consórcio Bilhete Digital, responsável pela operação do sistema. No ano passado, a taxa chegou a ser implementada, mas foi suspensa após o Ministério Público abrir investigação para avaliar a legalidade da cobrança.

Ao todo, o Consórcio Bilhete Digital estima arrecadar cerca de R$ 4,6 milhões por mês com o serviço. A informação foi confirmada por fontes à BandNews FM.

A volta da cobrança ocorre em meio a dificuldades financeiras. No ano passado, o consórcio fechou o ano com prejuízo operacional de R$ 150,8 milhões, segundo o balanço financeiro da concessionária.

Em 2025, a receita líquida de vendas foi de aproximadamente R$ 49 milhões, mas o custo dos serviços foi o dobro desse valor. O patrimônio líquido da concessionária está negativo em R$ 126 milhões.

Ao mesmo tempo, o Consórcio Bilhete Digital ainda não pagou a segunda parcela da outorga referente à concessão do sistema de bilhetagem digital. O valor de R$ 56 milhões deveria ter sido repassado ao município no ano passado, mas ainda não foi quitado.

Para tentar solucionar o impasse financeiro, a concessionária pediu um aporte de R$ 100 milhões à Prefeitura do Rio, como forma de reequilibrar o contrato. O entendimento do grupo é de que o município teria exigido condições além do previsto em contrato para implementar o Jaé em 2025.

O contrato entre o município e o Consórcio Bilhete Digital foi assinado em dezembro de 2022. O sistema foi lançado no ano seguinte, mas a operação exclusiva do Jaé no município foi adiada ao menos quatro vezes. O lançamento definitivo ocorreu em agosto do ano passado.

Durante esse período, a administração do consórcio também mudou. A Burundi Fundo de Investimentos, que tem participação na Autopass — empresa que atua na bilhetagem de São Paulo — comprou parte do Consórcio Bilhete Digital. A Autopass havia participado da licitação e ficou em quarto lugar.

Procurados, o município do Rio, o Consórcio Bilhete Digital e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ainda não se posicionaram.

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