
Sistema de bilhetagem Jaé volta a cobrar taxa suspensa pelo MP
Conrado Portella/Prefeitura do Rio
O Jaé, sistema de bilhetagem do município do Rio, voltou a cobrar das empresas uma taxa de 4% por recarga unitária de funcionários. O valor é referente a “serviços adicionais de conveniência, organização e gestão dos vales-transporte”.
O serviço “premium”, no entanto, ainda não foi lançado pelo Consórcio Bilhete Digital, responsável pela operação do sistema. No ano passado, a taxa chegou a ser implementada, mas foi suspensa após o Ministério Público abrir investigação para avaliar a legalidade da cobrança.
Ao todo, o Consórcio Bilhete Digital estima arrecadar cerca de R$ 4,6 milhões por mês com o serviço. A informação foi confirmada por fontes à BandNews FM.
A volta da cobrança ocorre em meio a dificuldades financeiras. No ano passado, o consórcio fechou o ano com prejuízo operacional de R$ 150,8 milhões, segundo o balanço financeiro da concessionária.
Em 2025, a receita líquida de vendas foi de aproximadamente R$ 49 milhões, mas o custo dos serviços foi o dobro desse valor. O patrimônio líquido da concessionária está negativo em R$ 126 milhões.
Ao mesmo tempo, o Consórcio Bilhete Digital ainda não pagou a segunda parcela da outorga referente à concessão do sistema de bilhetagem digital. O valor de R$ 56 milhões deveria ter sido repassado ao município no ano passado, mas ainda não foi quitado.
Para tentar solucionar o impasse financeiro, a concessionária pediu um aporte de R$ 100 milhões à Prefeitura do Rio, como forma de reequilibrar o contrato. O entendimento do grupo é de que o município teria exigido condições além do previsto em contrato para implementar o Jaé em 2025.
O contrato entre o município e o Consórcio Bilhete Digital foi assinado em dezembro de 2022. O sistema foi lançado no ano seguinte, mas a operação exclusiva do Jaé no município foi adiada ao menos quatro vezes. O lançamento definitivo ocorreu em agosto do ano passado.
Durante esse período, a administração do consórcio também mudou. A Burundi Fundo de Investimentos, que tem participação na Autopass — empresa que atua na bilhetagem de São Paulo — comprou parte do Consórcio Bilhete Digital. A Autopass havia participado da licitação e ficou em quarto lugar.
Procurados, o município do Rio, o Consórcio Bilhete Digital e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ainda não se posicionaram.
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