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Médicos de Clínicas da Família do Rio fazem paralisação por reajuste e melhores condições

Categoria reivindica reajuste salarial após quatro anos, além de denunciar superlotação e falta de insumos

Gabriela Morgado
GABRIELA MORGADO

21/05/2025 • 07:45 • Atualizado em 21/05/2025 • 07:45

Cerca de 30% dos médicos devem manter o atendimento, com prioridade para casos urgentes e mais graves

Cerca de 30% dos médicos devem manter o atendimento, com prioridade para casos urgentes e mais graves

Reprodução/Prefeitura do Rio

Médicos de clínicas da família do Rio de Janeiro fazem uma paralisação nessa quarta-feira (21). A medida foi definida em assembleia do Sindicato dos Médicos.

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O principal motivo, segundo a categoria, é a falta de reajuste salarial há quatro anos. Os médicos também citam a falta de estrutura e insumos nas unidades e a superlotação das clínicas. Além disso, ressalta que muitas clínicas sofrem com a violência externa.

Ainda segundo os profissionais, 30% dos médicos devem continuar atuando nesta quarta, e os atendimentos de urgência e os casos prioritários vão seguir sendo acolhidos. Segundo a Prefeitura, a cidade conta com 1.198 médicos celetistas na Atenção Primária.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Alexandre Telles, ressalta as reivindicações dos profissionais.

Consiste em melhores condições de trabalho, tendo em vista que persiste falta de medicamentos, a violência nas unidades, que aflige os profissionais de saúde, superlotação das unidades, com um número muito maior de usuários por médico do que o preconizado, o que consequentemente diminui a qualidade do cuidado. Além do mais, apesar de tentativas de negociação do Sindicato com as Organizações Sociais, inclusive com mediações no Tribunal do Trabalho, nós não conseguimos sucesso na questão de negociação do reajuste para os médicos, que estão há mais de quatro anos com salário sem qualquer tipo de reajuste atuando na atenção primária.

Ainda de acordo com Alexandre, foi feito um pedido de recomposição pela inflação até a concessão do reajuste. Segundo ele, o salário base por 40 horas semanais de trabalho é de cerca de R$ 15 mil.

Mas, segundo a Prefeitura, o rendimento médio dos médicos de família no Rio é de R$ 16.800, podendo chegar a R$ 31 mil, com variáveis de especialização e desempenho. Todos trabalham em regime CLT, contratados por Organizações Sociais.

O secretário de Saúde, Daniel Soranz, afirma que o reajuste não vai acontecer nesse momento, já que o salário dos médicos de família é um dos maiores do Rio.

Está entre os cinco maiores salários das capitais brasileiras. Não há previsão de reajuste nesse momento, não há nenhum motivo para uma greve ou um movimento de paralisação que seja legítimo. A recomendação é que todos devam continuar trabalhando e caso tenha alguma reivindicação, a Secretaria estará disposta a atendê-los a qualquer momento, quando for solicitado. Além disso, as condições estruturais melhoraram muito.

Ainda segundo Soranz, 70% das clínicas da família da cidade já foram reformadas. Até o início da manhã desta quarta, segundo o secretário Daniel Soranz, não havia informação de impacto no atendimento.

No dia 15, a diretoria do Conselho Regional de Medicina do Rio chegou a receber representantes do Sindicato para discutir sobre os problemas enfrentados.

Em nota, o Cremerj disse que o Sindicato informou o Conselho acerca do movimento e que apoia a reivindicação, de forma que não cause prejuízos ao atendimento. De acordo com o comunicado, é essencial que os profissionais recebam honorários compatíveis com as atividades, bem como é indispensável que os locais de trabalho ofereçam estrutura para o exercício seguro do ato médico.

Uma nova assembleia dos médicos deve ser realizada ainda nessa segunda e pode decidir por mais dias de paralisação.

Também em nota, a Secretaria de Saúde disse que não considera o movimento legítimo e que os profissionais que não comparecerem ao trabalho sem prévio aviso e deixarem de atender os pacientes receberão advertência, podendo ser demitidos. Segundo a pasta, não houve comunicação oficial sobre a paralisação. A Secretaria reforçou ainda que, na atual gestão, os médicos da família recebem em dia, têm o maior salário do estado e que a maioria das clínicas da família e centros municipais de saúde já foi reformada.

Ainda de acordo com o comunicado, as equipes têm em média 3.492 usuários cadastrados, abaixo do preconizado pela Política Nacional de Atenção Básica do Ministério da Saúde.

A BandNews FM tentou entrar em contato com pelo menos dez unidades de Atenção Primária do Rio na manhã dessa quarta, mas só conseguiu falar com duas. O Centro Municipal de Saúde Rocha Maia, em Botafogo, na Zona Sul, informou que teve o atendimento interrompido por causa da paralisação.

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