
Estádio de Atletismo Célio de Barros
Divulgação/Suderj
O Ministério Público do Rio investiga a utilização do Estádio de Atletismo Célio de Barros, que fica ao lado do Maracanã, na Zona Norte do Rio. O procedimento tramita sob sigilo.
Desde maio, o espaço é utilizado como estacionamento pelo consórcio formado pelos clubes Flamengo e Fluminense, após um acordo com a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer. A assinatura vale até dezembro deste ano. As contrapartidas são vagas para o tour do Museu do Maracanã, direcionadas a prefeituras e projetos sociais.
Mas, a utilização do bem tombado como estacionamento deveria ser aprovado pelo Iphan. O projeto não foi submetido à análise do órgão federal, que respondeu em junho que faria uma vistoria técnica no local nas semanas seguintes.
Agora, o Instituto disse que a data ainda não foi definida e são realizadas conforme planejamento anual.
A deputada Laura Carneiro, que faz parte da Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados, recebeu representantes da Federação Estadual de Atletismo e chegou a conversar com o prefeito Eduardo Paes, que disse que ajudaria na busca por uma solução ao Estádio de Atletismo Célio de Barros. No entanto, a parlamentar disse que ainda não conseguiu uma reunião com o governador do Rio, Cláudio Castro, para tratar sobre o tema.
O Estádio é administrado pelo Governo do Rio e não faz parte do Complexo Maracanã. Ele foi desativado há mais de 10 anos. O projeto de reforma já desenvolvido pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio prevê a instalação de uma nova pista de corrida com nove raias, seguindo as normas olímpicas vigentes; revitalização da pista de aquecimento interna; novas arquibancadas com 40 refletores e iluminação de LED; e a construção de um museu.
Fechado desde 2013, o desejo dos antigos frequentadores e atletas que já passaram pelo Estádio Célio de Barros é de que o espaço volte a origem, com novas tecnologias e práticas seguindo as normas internacionais e nacionais.
O objetivo é fazer com que as atuais e futuras gerações de atletas também possam usufruir daquilo que um dia já recebeu o Troféu Brasil de Atletismo, por exemplo.
Segundo a EMOP, que desenhou o projeto em 2022, a estimativa de custos é de R$ 39 milhões. O valor aproximado para a elaboração dos projetos é de R$ 900 mil.
Os custos foram atualizados no ano passado. Os valores incluem a reforma de toda a edificação, anexos e apoios, com reforço estrutural, novos telhados e impermeabilizações. No entanto, as obras nunca foram autorizadas.
A atual construção foi prejudicada pelas obras do Maracanã, que concretaram os locais das pistas e pelo abandono e descaso por vários anos. Todas as instalações foram vandalizadas e depredadas.
Atualmente, o estádio não conta sequer com Sistema Contra Incêndio e Pânico, que foi vandalizado e está fora de operação. Além disso, os banheiros estão desativados e há locais com infiltração.
O Estádio de Atletismo Célio de Barros ocupa uma área total de 18.714m², 756m² para estacionamento e 457m² de jardins, com espaço de lazer gratuito para a comunidade, e capacidade para 9.143 pessoas, sendo 8.000 nas arquibancadas, 1.053 nas cadeiras e 50 na tribuna de honra.
Em nota, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer disse que tratativas seguem em andamento, com foco na busca por alternativas viáveis e sustentáveis para o uso do espaço. Já o Iphan disse que permanece em contato com o Consórcio Maracanã.
Segundo o Flamengo e o Fluminense, a medida não implica em qualquer intervenção na estrutura do estádio e que a utilização corresponde à parte descoberta do terreno e a destinação está restrita ao parqueamento de veículos e ônibus de torcidas. A concessionária afirma que não há qualquer conduta irregular ou legal.
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