
Operação Trinus
Reprodução
Criminosos do Terceiro Comando Puro de duas comunidades da Zona Norte do Rio criaram um "consórcio do crime" para lucrar com roubos de cargas na capital fluminense. A informação foi confirmada pelo delegado Thiago Dorigo, responsável pela Operação Trinus deflagrada nesta quarta-feira (10).
Segundo ele, os bandidos dos Complexos da Pedreira e da Maré fizeram a alianças após a polícia mapear a favela da Pedreira, em Costa Barros, para recepção das cargas.
O delegado conta que os bandidos da Pedreira passaram a roubar nas vias expressas e levar as cargas para o Complexo da Maré, onde dividiam os lucros.
Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira (10), policiais civis atuaram nas comunidades da Vila do João, Conjuntos Pinheiro e Esperança, Baixa do Sapateiro, Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, com o objetivo de cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão contra criminosos que coordenam ações de roubo de cargas e veículos do Terceiro Comando Puro, que dominam as comunidades.
Durante a entrada dos agentes, houve intenso confronto com os bandidos. Pedestres chegaram a correr nas passarelas da Avenida Brasil, uma das principais vias expressas do Rio, para se protegerem dos disparos.
Ouvintes da BandNews FM relataram os momentos de tensão com os tiros.
Durante as ações, os policiais encontraram uma mineradora de criptomoedas e uma central de golpes a aposentados e pensionistas do INSS na Vila do João.
As investigações apontaram que os criminosos do Terceiro Comando Puro também realizavam lavagem de dinheiro através do "baile da Disney", megaevento que acontece dentro da comunidade.
Os investigadores identificaram que o baile funk funciona como canal de escoamento de dinheiro e mercadorias roubadas.
Os traficantes viabilizavam o pagamento de cachês e garantiam a presença de pessoas públicas no evento, que se tornou referência popular pela produção temática e decoração.
Outro tipo de ação criminosa organizada identificada pelos policiais, foi a de roubo de celulares. Segundo as investigações, a facção pagava até R$2.500 a assaltantes que entregassem aparelhos já desbloqueados.
A cadeia de roubo e receptação era coordenada direto do Complexo da Maré. O esquema foi revelado após a prisão de dois assaltantes em Bonsucesso.
Aos agentes, os presos confessaram que um integrante da facção era responsável pelo gerenciamento operacional dos roubos, fornecendo armas e motos aos assaltantes e estabelecendo metas, como a obtenção de determinado número de aparelhos desbloqueados por incursão.
As vítimas eram abordadas e coagidas sob mira de arma a desbloquearem seus telefones. Já os aparelhos bloqueados eram avaliados entre 300 e 600 reais.
Ainda durante as ações, duas estufas com diversas plantações de maconha foram encontradas.
Os policiais conseguiram prender um homem, identificado como Mateus de Souza Lobosco, acusado de pedofilia.
De acordo com os agentes, o criminoso utilizava aplicativos de mensagens para participar de grupos, trocando arquivos de crianças e bebês, de menos de um ano, e adolescentes, em situações de abuso sexual explícito.
A Polícia Civil afirmou que o acusado não tem ligação com a facção do Terceiro Comando Puro, mas que vai seguir com as investigações para localizar outros integrantes da quadrilha de pedófilos da qual Mateus faz parte.
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