
Wilson Alcoforado
Reprodução
O presidente da Central Logística, Wilson Alcoforado, é demitido em meio a denúncias de irregularidades feitas pela reportagem da BandNews FM.
A empresa pública, vinculada à Secretaria de Estado de Estado de Transporte do Rio, paga cerca de R$ 20 mil por mês a três membros da família do chefe de gabinete da estatal, José Carlos Fragoso.
Segundo o Portal da Transparência, Fragoso recebe R$ 10.735. O irmão dele, Luiz Eduardo dos Santos Fragoso, lotado na Gerência de Tecnologia da Informação, tem um salário de R$ 4.721.
Já a esposa de Fragoso, Thalida da Conceição Torres Pereira, recebe R$ 4.094. ((Depois da nomeação do marido no cargo, ela também passou a ser membro do Comitê de Auditoria Estatutário da estatal.))
Os pagamentos violam regimento interno da propria companhia, que não permite cônjuges ou parentes de diretores, empregados ou membros da Central Logística.
Antes de assumir o cargo na empresa pública, José Carlos Fragoso era assessor parlamentar do deputado estadual Filippe Poubel.
A trajetória é parecida com a do presidente demitido nesta quinta-feira (18), Wilson Alcoforado. Ele era chefe de gabinete de Poubel na Assembleia Legislativa do Rio.
A Central Logística também acumula nomeados polêmicos.
A gerente Alcione Chaffin de Andrade, que ganha R$ 4.623, já foi ex-assessora do agora ex-deputado estadual Marcos Abrahão e chegou a ser alvo da Operação Furna da Onça, da Polícia Federal, em 2018, que apurou um esquema de corrupção envolvendo obras públicas do governo de Sergio Cabral. Segundo as investigações, ela seria operadora financeira de Abrahão.
Em uma conversa interceptada pela PF, Alcione foi
flagrada oferecendo empregos no interior do Rio. Ela aparece em mensagens afirmando que era só o apoiador escolher o município que Marcos Abrahão arrumava uma vaga. Em outro trecho, Alcione afirma que o Rio de Janeiro era como um bolo, dividido em fatias.
Outro nome polêmico na Central Logística é do superintendente Christiano de Carvalho Manhães Ribeiro que foi preso em 2017 após ser acusado de estuprar uma menina de 14 anos dentro de um ônibus intermunicipal na Ponte Rio-Niterói.
O processo criminal, que estava sob sigilo por envolver um menor de idade, acabou sendo arquivado. Atualmente, o salário de Cristiano na Central Logística é de aproximadamente R$ 7 mil.
Diantes das denúncias, o Governo do Rio prepara uma transição de gestão e revisão administrativa na estatal.
Nesta quinta-feira (18), a presidência passa a ser gerida pelo diretor operacional Ary Arruda.
A intenção da Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana é nomear o auditor federal Luíz Cláudio Fernandes Lourenço Gomes, que já foi secretário de Fazenda de Minas Gerais.
O nome dele, no entanto, não foi aprovado pelo Comitê de Elegibilidade. O processo de nomeação deve ser reiniciado, já que o pedido inicial de cessão à União era para que ele assumisse o Detro e não a Central Logística.
Em nota, a Secretaria de Transportes afirmou que não compactua com com contratações que não sigam as diretrizes de governança e compliance adotadas pelo Estado.
O Governo destacou ainda que eventuais situações serão examinadas de forma individualizada, com responsabilidade, cautela e respeito ao devido processo legal, com possibilidade de adoção de medidas administrativas.
Procurada, a Central Logística ainda não se posicionou, assim como o Ministério Público.
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