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Reconhecimento facial em estádios aumenta sensação de segurança, diz estudo

Levantamento aponta mais mulheres nos estádios após implementação dessa tecnologia

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

20/04/2026 • 12:48 • Atualizado em 20/04/2026 • 12:48

Tecnologia de reconhecimento facial nos estádios

Tecnologia de reconhecimento facial nos estádios

Divulgação BEPASS

O número de mulheres frequentando estádios de futebol no Brasil registra alta de 32% entre 2023 e 2025. O dado é de um levantamento feito pela Bepass, empresa especializada em reconhecimento facial. O aumento foi verificado no período em que a tecnologia começou a ser implementada nas principais arenas do país.

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De acordo com o estudo feito pela companhia, o número também é positivo quando levada em consideração a presença de menores de 14 anos nos estádios. Neste caso, a alta é de 26%.

Para o diretor de tecnologia e sócio da Bepass, Fernando Melchert, os dados revelam que os estádios brasileiros estão se tornando um espaço mais seguro, o que está mudando o perfil de quem vai às partidas.

"Primeiro ponto é você afastar dos estádios aquelas pessoas que, de alguma forma, transgrediram a lei ou têm alguma pendência com a Justiça. Mas, um outro ponto importante, que acho que se reflete na questão da segurança também, foi uma mudança comportamental do público. Hoje, se um torcedor tiver qualquer ato indevido dentro do estádio, ele sabe muito bem que vai ser identificado em segundos."

O levantamento foi feito com base nos números dos clubes atendidos pela empresa, que incluem Botafogo, Flamengo e Fluminense, no Rio, Palmeiras, São Paulo e Santos, em São Paulo, e o Grêmio, no Rio Grande do Sul.

Desde junho do ano passado, os estádios de futebol com capacidade superior a 20 mil lugares passaram a ser obrigados a adotar sistemas de reconhecimento facial como controle de acesso. A determinação é da Lei Geral do Esporte, sancionada em 2023.

Entre os principais objetivos da regra, estão o aumento da segurança nos eventos esportivos, a facilidade no acesso dos torcedores e o combate às práticas como o cambismo.

Para a turismóloga Mariana Rodrigues, que frequenta o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, as mudanças têm sido sentidas na prática.

"Ficou muito mais seguro, trouxe aquele conforto para a gente. Sem falar da questão do acesso mais rápido aos setores, você quase não vê fila, e quando vê, acaba sendo muito mais fluido, porque em menos de 10 segundos você já consegue entrar no estádio com a biometria facial. Na questão da segurança, com a biometria facial, fica fácil de identificar possíveis infratores, então isso trouxe muito mais segurança para a gente que frequenta os jogos no Maracanã."

A tecnologia de reconhecimento facial funciona através de modelos matemáticos que identificam as pessoas, utilizando como base informações como distâncias de pontos-chave da face, distância dos olhos, posição do nariz, formato da boca, entre outros.

Apesar do aumento nos índices de público feminino, muitas mulheres ainda se sentem inseguras de frequentar as arquibancadas. É o caso da Nayara Oliveira, que conta que, apesar do uso de novas tecnologias de identificação, casos de importunação seguem acontecendo nos estádios.

"Apesar de terem muitos casos de assédio físico, de toque, a maioria dos casos em estádio é uma importunação, é na fala, talvez um toque quando você está em um ambiente muito cheio... E você não consegue identificar a pessoa, quem fez aquilo com você, então ainda não me sinto segura."

Na cidade do Rio, uma lei sancionada em 2024 prevê a fixação de placas com instruções para as vítimas de importunação sexual identificarem o agressor, com o número de telefone para ligação e os órgãos de denúncia. As instruções sobre como agir em casos de violências sexuais também devem ser divulgadas por meio do sistema de áudio e de telões disponíveis nas dependências dos estádios.

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