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Servidores comissionados da área da Saúde do Rio têm relações com políticos

As informações constam no Portal de Transparência referentes ao contracheque do mês passado.

João Boueri
JOÃO BOUERI

16/06/2026 • 12:33 • Atualizado em 16/06/2026 • 17:47

Da esquerda para direita: Larysse, Thamiris, Sallen, "Kbça" e Marcelo

Da esquerda para direita: Larysse, Thamiris, Sallen, "Kbça" e Marcelo

Reprodução

Entre os 855 servidores em cargos comissionados na Secretaria de Estado de Saúde e na Fundação Saúde há ex-candidatos, cabos eleitorais, ex-jogador de futebol, irmão de ex-vereador, esposas de secretários e políticos influentes, e até suspeitos de envolvimento com o traficante Elias Pereira da Silva, mais conhecido como Elias Maluco. As informações constam no Portal de Transparência referentes ao contracheque do mês passado.

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Do total, um levantamento do gabinete do vereador Pedro Duarte (PSD), confirmado pela BandNews FM, aponta que mais de 60 cargos comissionados possuem vínculos políticos com o Partido Progressista e também com o deputado federal Doutor Luizinho, da mesma legenda. O ex-secretário é parente de sócios do PCS Lab Saleme, responsável pela infecção por HIV de seis pacientes após transplantes de órgãos no Rio.

Entre as esposas de políticos do Estado do Rio, está a atual companheira do vereador do Rio, Leniel Borel (PP). A dermatologista Larysse Borel Neves Ribeiro é nomeada na subsecretaria de Atenção à Saúde, com remuneração líquida de aproximadamente R$ 11 mil.

Já na subsecretaria de Auditoria e Controle, a esposa do vereador de Nova Iguaçu, Wesley Lopes (PSDB), recebe cerca de R$ 7.300 mil. Nas redes sociais, os dois compartilham fotos com menções ao deputado federal Doutor Luizinho.

Em uma publicação recente, durante a inauguração do Onco Baixada, Thamiris Fonseca afirmou que vai seguir trabalhando por uma saúde mais humana ao lado do marido.

A esposa do ex-vereador Alexandre Isquierdo, Flávia Moraes Nobre Isquierdo Moreira, é diretora do Hospital Estadual Getúlio Vargas, com salário médio de R$ 6.300.

Outra companheira de secretário também já foi investigada pelo Tribunal de Contas do Estado. A diretora geral do Rio Imagem da Região dos Lagos, Sallen Lopez de Souza Ferraz, chegou a firmar um contrato com a própria empresa quando era diretora da UPA de Realengo. A esposa do secretário de Belford Roxo, Fabrício Ferraz (PP), recebe remuneração líquida de R$ 8 mil.

Além disso, a Secretaria de Estado de Saúde reúne personagens políticos conhecidos na Baixada Fluminense. O assessor da Fundação Saúde Jorge Luiz Lima Florencio é ex-candidato a vereador de São João de Meriti conhecido como 'kbça'. Nas redes sociais, ele não esconde o apoio ao Doutor Luizinho. O salário médio de Jorge Luiz é de R$ 12.150.

Já o diretor da UPA Maré, na Zona Norte do Rio, José Luiz Barcellos, também aparece com frequência nas redes sociais, chancelando o apoio ao deputado federal do PP. O salário dele é de aproximadamente R$ 8 mil.

O ex-meia de campo do Flamengo e do Fluminense, Marcelo Ribeiro, virou diretor da UPA da Penha, na mesma região. O salário do ex-jogador é de R$ 6.200. Nas redes sociais, o servidor comissionado também compartilha publicações com referência ao Doutor Luizinho.

A reportagem da BandNews FM identificou outro diretor envolvido com Doutor Luizinho. Em 2022, Marcelo Lima Garcia de Azevedo recebeu R$ 12 mil da campanha do deputado federal para locação de imóveis. O atual diretor do Hospital Estadual Vereador Melchiades Calazans, na Baixada Fluminense, recebe R$ 8.247 de salário.

Há ainda, entre os nomeados, o irmão do ex-vereador Jorge Felippe(PP), Sergio Luiz Felippe, assessor chefe do Hospital Eduardo Rabello. O salário do servidor é de R$ 8.900 líquido aproximadamente.

O levantamento também identificou que o atual coordenador de estatística da Fundação Saúde é um sargento da reserva que já foi investigado por suspeita de propina ao traficante Elias Maluco. Jucimar Pereira de Carvalho recebe cerca de R$ 8.247 bruto.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde disse que determinou avaliação funcional de todos os funcionários efetivos e comissionados e que, após essa análise, cada caso será avaliado e providências cabíveis serão adotadas.

Já o vereador Leniel Borel (PP) disse que recebeu com surpresa a citação do nome da esposa e que a trajetória de Larysse Borel na Fundação Saúde desde 2022 antecede o relacionamento com o político. O vereador acrescenta ao dizer que não há qualquer elemento que sugere favorecimento, apadrinhamento político ou cabide de emprego.

Procurado, o deputado federal Doutor Luizinho ainda não se posicionou. A BandNews FM tenta contato com os demais citados.

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