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STF inicia julgamento dos acusados de mandar matar Marielle após 8 anos

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal analisa denúncia contra os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

23/02/2026 • 12:01 • Atualizado em 23/02/2026 • 12:01

Domingos Brazão e Chiquinho Brazão

Domingos Brazão e Chiquinho Brazão

Alerj

Quase oito anos após o crime, os acusados de envolvimento no planejamento da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes começam a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (24). Entre os réus, estão os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes.

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O crime aconteceu no dia 14 de março de 2018, na saída de um evento na Casa das Pretas, no bairro da Lapa, na Região Central do Rio. O carro em que as vítimas estavam foi alvejado por, pelo menos, treze disparos: Marielle foi assassinada com cinco tiros na cabeça e Anderson com três tiros nas costas. Somente a assessora da parlamentar, Fernanda Chaves, que também estava no carro, sobreviveu.

As investigações apontaram que o assassinato da vereadora teve relação com a atuação política dela, envolvendo disputas em torno de regularização de territórios na cidade do Rio de Janeiro.

O professor de Direito Penal da UFF e advogado, Rodrigo de Souza Costa, ressalta que os fatores que envolvem o crime são graves.

Os executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram julgados e condenados pela Justiça do Rio em outubro de 2024.

No STF, respondem ao processo os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, o ex-chefe de Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, acusado de obstruir as investigações, Robson Calixto Fonseca, que teria ajudado a intermediar o primeiro encontro de Ronnie Lessa com os irmãos Brazão, e Ronald Paulo de Alves Pereira, apontado como o responsável por alertar os demais envolvidos sobre a localização da vereadora no dia do crime.

Em entrevista à BandNews FM, a mãe de Marielle, Marinete Silva, afirmou que vai acompanhar o julgamento em Brasília e que acredita que a Justiça vai ser feita.

Ao longo do curso do processo no STF, foram ouvidas dezenas de testemunhas de defesa e acusação. Os réus também foram interrogados e negaram as acusações. Todos estão presos preventivamente. Atualmente, apenas Chiquinho cumpre prisão domiciliar, por questões de saúde.

O advogado criminalista e especialista em processo penal, Rafael Valentini, avalia que, por se tratar de um caso de grande repercussão, o resultado do julgamento pode representar uma resposta importante do Poder Judiciário contra crimes com motivação política.

O julgamento acontece em sessões agendadas para terça-feira (24) e quarta (25) na Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Flávio Dino. Atualmente, o colegiado é composto por quatro magistrados. Além de Dino, fazem parte os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

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