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Tarifa dos EUA pode cortar 12 mil empregos no Rio, aponta estudo do IPP

Relatório avalia efeitos do tarifaço de Trump sobre exportações da capital fluminense

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

18/08/2025 • 18:33 • Atualizado em 18/08/2025 • 18:33

Trump tarifas

Trump tarifas

Dado Ruvic/Reuters

A aplicação de uma tarifa linear de 50% sobre as exportações aos Estados Unidos em um prazo de um a dois anos poderia gerar uma perda de, pelo menos, doze mil empregos formais na cidade do Rio de Janeiro. A projeção é de um relatório produzido pelo Instituto Pereira Passos, com base nos dados disponíveis sobre as exportações realizadas pela capital fluminense.

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A análise é preliminar e esbarra em limitações dos dados disponibilizados a respeito do tema, mas pode funcionar como orientação para a construção de políticas públicas a respeito do assunto.

O "tarifaço" imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, entrou em vigor no início de agosto, com a definição de uma série de produtos isentos das cobranças extras. Entre eles, está o óleo bruto de petróleo, principal item na lista de exportações tanto da cidade quanto do estado do Rio no ano de 2024.

O relatório do IPP, divulgado nesta segunda-feira (18), cita dois estudos feitos por instituições de Minas Gerais antes da promulgação da lista de isenções das tarifas, destacando que os impactos reais tendem a ser significativamente menores na comparação com as projeções anteriores.

Apesar da limitação no detalhamento dos dados disponíveis para análise no contexto do município do Rio, o instituto concluiu que, em um cenário conservador, a perda de empregos num prazo de até dois anos pode girar em torno de 12,4 mil, enquanto projeções mais pessimistas indicam o fechamento de até 33,9 mil postos formais fechados.

O estudo também analisa os impactos do tarifaço na economia do estado do Rio de Janeiro, que disponibiliza dados de exportação mais detalhados, como explica o coordenador de pesquisa, avaliação e políticas públicas do IPP, Diego Maggi.

Dos pouco mais de 7 bilhões de dólares que o estado do Rio de Janeiro exportou para os Estados Unidos no ano passado, aproximadamente 5 bilhões saíram da cidade do Rio de Janeiro, mantendo mais ou menos esse padrão de pauta de exportação. Porém, veio o anúncio da Casa Branca de itens isentos da tarifa, e por conta da disponibilidade de dados públicos que a gente tem, a gente não consegue identificar em nível municipal o que que está isento e o que que não está. Mas a nível de estado a gente consegue, e aí o que a gente percebeu? Aproximadamente 57% da pauta exportadora do Rio de Janeiro, do estado do Rio de Janeiro para lá, está isento das tarifas, principalmente por conta da isenção de óleo bruto de petróleo, que sozinho representa 55% da pauta exportadora.

De acordo com o relatório, os produtos isentos da tarifa totalizam aproximadamente US$ 4,2 bilhões (FOB), o que representa 56,7% do total exportado pelo estado do Rio para os Estados Unidos no ano passado.

Entre as unidades da federação, o RJ é o segundo maior exportador para os EUA, com uma pauta concentrada em óleo bruto de petróleo (55,1%) e produtos semimanufaturados de ferro/aço (21,5%).

De acordo com o relatório, caso a tarifa de 50% fosse implementada sem as isenções, o prejuízo para o estado do Rio poderia atingir a marca dos R$ 830 milhões.

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