Resumo
O crescimento do acesso de crianças e adolescentes ao ambiente digital aumenta riscos de violência e exploração online, com mais de 60% das denúncias de crimes virtuais em 2025 envolvendo abuso infantil, segundo a SaferNet Brasil, e destaca a importância do acompanhamento familiar, especialmente em plataformas populares como o Roblox.
O Roblox implementou novas regras de segurança, como bloqueio automático de chat para menores de 9 anos e exigência de autorização parental para menores de 13, enquanto especialistas como Geovane Maciel afirmam que medidas técnicas são insuficientes sem participação ativa dos pais e recomendam supervisão constante sobre informações compartilhadas e acordos claros sobre uso da internet.
Mudanças de comportamento, isolamento e uso excessivo de plataformas desconhecidas são sinais de alerta para possíveis situações de risco, sendo fundamental que pais mantenham diálogo contínuo, evitem repreensões em casos de suspeita, guardem provas e acionem canais como o Disque 100, com especialistas ressaltando vigilância, diálogo e informação como principais estratégias de proteção.
O aumento da presença de crianças e adolescentes em ambientes digitais tem ampliado também os riscos de violência e exploração online. Em 2025, mais de 60% das denúncias de crimes em ambientes virtuais envolveram abuso infantil, segundo levantamento da SaferNet Brasil. O dado reforça o alerta para a necessidade de acompanhamento mais próximo das famílias, especialmente em plataformas populares entre o público jovem.
Uma das mais utilizadas é o Roblox, que recentemente anunciou mudanças em suas regras de segurança. A plataforma passou a bloquear automaticamente o chat para usuários no Brasil com menos de 9 anos e exige autorização dos pais para crianças abaixo de 13. Em outros países, como os Estados Unidos, o jogo enfrenta ações judiciais que questionam falhas na proteção de menores e possíveis brechas para práticas de aliciamento.
Para o especialista em segurança escolar e cibersegurança Geovane Maciel, medidas técnicas são importantes, mas insuficientes se não houver envolvimento direto da família. “Participar da vida digital dos filhos é uma das ações mais relevantes. Reservar um tempo para estar com eles nesses ambientes fortalece a confiança, embora seja preciso entender que nem sempre a criança vai contar tudo espontaneamente”, afirma.
Atenção aos dados pessoais e ao comportamento online
Segundo o especialista, o compartilhamento de informações pessoais exige vigilância constante. “Nada deve ser publicado sem supervisão. Informações aparentemente inofensivas podem ser usadas por pessoas mal-intencionadas, principalmente quando os pais não conhecem bem a plataforma”, alerta.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 mostram que 30% das crianças e adolescentes já tiveram contato online com alguém que não conheciam pessoalmente. Para Maciel, não existe um único ambiente mais perigoso. “Hoje, tudo está conectado. Um conteúdo visto em um jogo vira conversa em outra plataforma. O diálogo contínuo é o melhor caminho para a prevenção.”
Dentro de casa, acordos claros ajudam a tornar o uso da internet mais seguro, especialmente durante períodos como as férias escolares. Estabelecer horários, definir quais plataformas podem ser acessadas e combinar recompensas simples são estratégias que ajudam a criar limites sem recorrer apenas à proibição.
Sinais de alerta e como agir
Mudanças bruscas de comportamento, isolamento ou alterações no padrão de uso da internet podem indicar situações de risco. “Nem sempre é o tempo online que preocupa, mas onde esse tempo está sendo gasto. Ficar horas em fóruns desconhecidos é diferente de assistir a um conteúdo supervisionado”, explica o especialista.
Criminosos costumam se aproximar de menores fingindo ser outras crianças, ganhando confiança aos poucos e oferecendo presentes virtuais. “As crianças dominam a tecnologia, mas continuam sendo crianças. A inocência é explorada”, ressalta.
Em casos de suspeita de abuso ou crime virtual, a orientação é manter a calma e evitar qualquer tipo de culpa ou repreensão à criança ou ao adolescente. Guardar provas, como mensagens e históricos, e buscar ajuda especializada é fundamental. Denúncias podem ser feitas ao Disque 100, serviço da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, que funciona 24 horas por telefone, aplicativos e canais digitais.
Especialistas reforçam que vigilância, diálogo e informação continuam sendo as principais ferramentas para proteger crianças e adolescentes em um ambiente digital cada vez mais complexo.

