
Sonda Juno mediu com mais precisão o tamanho e o formato de Júpiter
Weizmann Institute of Science/Nasa
Dados da missão Juno, da Nasa, revelam que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que as estimativas anteriores indicavam, com implicações importantes para a compreensão da estrutura interna do planeta. A pesquisa foi publicada em 2 de fevereiro de 2026 na revista Nature Astronomy.
A partir de medições de ocultação por rádio realizadas em 13 sobrevoos, combinadas com a análise dos efeitos dos ventos zonais na atmosfera joviana, os cientistas determinaram que, no nível de pressão de 1 bar, uma referência usada para comparação, o raio polar de Júpiter é de 66.842 ± 0,4 km, o raio equatorial é de 71.488 ± 0,4 km e o raio médio é de 69.886 ± 0,4 km.
Esses valores são, respectivamente, cerca de 12 km, 4 km e 8 km menores do que as estimativas anteriores, que não consideravam adequadamente a influência dos ventos.
A forma ligeiramente achatada do planeta, com o equador maior que os polos, reflete não só sua rápida rotação, mas também a dinâmica atmosférica acima das nuvens visíveis, os ventos zonais se mostram principalmente barotrópicos, ou seja, com pouca variação vertical.
Como Juno “enxerga” dentro de Júpiter
A técnica de ocultação por rádio usada pela sonda permite “ver” através das densas nuvens de Júpiter. Durante esse tipo de experimento, a antena da Juno transmite sinais de rádio para a Deep Space Network, rede da Nasa na Terra, enquanto esses sinais passam pela ionosfera, camada carregada de partículas na atmosfera do planeta.
As alterações na frequência causadas pelo desvio dos sinais são usadas para calcular temperatura, pressão e densidade eletrônica em diferentes profundidades.
Até agora, as medidas do tamanho de Júpiter tinham como base apenas seis experimentos de ocultação realizados pelas missões Pioneer e Voyager na década de 1970, com maiores incertezas e sem levar em conta os ventos atmosféricos com precisão.
A definição mais precisa da forma e do tamanho de Júpiter é essencial para calibrar modelos usados em exoplanetas gigantes, corpos semelhantes em outros sistemas estelares observados quando passam à frente de suas estrelas hospedeiras. Isso melhora a interpretação de dados astronômicos sobre mundos distantes.
Os novos resultados também ajudam a reconciliar modelos da estrutura interna de Júpiter, oferecendo suporte a hipóteses de uma atmosfera enriquecida em metais e mais fria do que alguns modelos anteriores previam, o que contribui para reduzir discrepâncias com medições da sonda Galileo e dados das missões Voyager.
A missão Juno é administrada pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena, para o Diretório de Missões Científicas da Nasa em Washington.

