Ciência e Tecnologia

Nasa inicia missão ousada para evitar queda do telescópio Swift na Terra

Com investimento de US$ 30 milhões, agência espacial americana quer elevar órbita do observatório que vasculha o cosmos em busca de explosões estelares

Da redação
DA REDAÇÃO

28/06/2026 • 13:51 • Atualizado em 28/06/2026 • 13:51

Corrida contra o tempo: Nasa tenta salvar satélite Swift

Corrida contra o tempo: Nasa tenta salvar satélite Swift

Gerada por IA

A Nasa iniciou uma corrida contra o tempo para evitar que o Observatório Swift, uma de suas ferramentas mais valiosas para o estudo do universo, reingresse na atmosfera terrestre e seja destruído. Em uma missão inédita de resgate, a agência espacial contratou a startup Katalyst Space Technologies para realizar uma manobra de salvamento audaciosa: impulsionar o telescópio para uma órbita mais alta e estável.

Compartilhar

A operação, avaliada em US$ 30 milhões, pode começar já nesta terça-feira (30). O plano prevê o lançamento de um robô salvador, a espaçonave autônoma chamada Link, a partir de um foguete Pegasus lançado por avião em um atol nas Ilhas Marshall, no Pacífico.

O desafio do resgate

Lançado em 2004, o Observatório Swift tem sofrido uma perda de altitude acelerada devido à intensa atividade solar recente. Segundo estimativas, o equipamento corre o risco de atingir um ponto irreversível de reentrada em outubro. Para evitar isso, a Nasa desligou todos os instrumentos científicos do observatório em fevereiro, na tentativa de desacelerar sua descida.

O robô Link, construído pela Katalyst, tem o tamanho de uma pequena geladeira de cozinha e conta com três braços robóticos equipados com garras que lembram as mãos de uma minifigura de Lego. A espaçonave levará cerca de um mês para encontrar o telescópio e, na sequência, mais alguns meses para elevá-lo dos atuais 360 quilômetros para a órbita desejada de 600 quilômetros.

"Ninguém achava que isso seria possível", admitiu Shawn Domagal-Goldman, diretor de astrofísica da Nasa. O desafio é extremo, uma vez que o observatório de 1,6 tonelada nunca foi projetado para ser reparado ou recuperado no espaço.

O futuro da manutenção espacial

O sucesso da missão pode abrir um precedente histórico para a exploração espacial. Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space, destaca que a operação demonstra uma nova estratégia no "manual de táticas" da exploração: a capacidade de estender a vida útil de observatórios antigos que, de outra forma, seriam perdidos.

"A Nasa tem todos esses grandes observatórios antigos… todos eles podem se beneficiar de um serviço como esse", disse Lee. A própria agência já olha para o futuro: o Telescópio Espacial Hubble, que também enfrenta problemas de altitude devido à atividade do Sol, pode ser o próximo a receber um impulso da Katalyst, possivelmente em 2028.

Nicky Fox, chefe de missões científicas da Nasa, reforça a importância do esforço: "Se deixássemos o Observatório Swift reentrar na atmosfera, perderíamos aquele telescópio. Perderíamos muita capacidade e, no momento, não temos orçamento para construir outro que o substitua".

Se o resgate for bem-sucedido, o Observatório Swift poderá retomar suas operações em setembro, voltando a atuar como o "primeiro a responder" da Nasa para detectar eventos astronômicos rápidos, como explosões de raios gama e supernovas, complementando o trabalho de observatórios mais modernos, como o Telescópio Espacial Webb.

Com informações da Agência Estado